Prêmio Fundação Bunge anuncia cientistas homenageados por pesquisas que impulsionam a agricultura brasileira
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Reconhecimento destaca contribuições para o avanço da agricultura tropical sustentável e para o fortalecimento da agricultura familiar

Nesta segunda-feira (06), a Fundação Bunge anuncia os quatro pesquisadores brasileiros contemplados com o Prêmio Fundação Bunge, uma das mais tradicionais e relevantes homenagens à produção científica nacional. Na categoria Vida e Obra, dentro do tema “Os desafios da agricultura tropical sustentável: produção em cenários de estresse térmico e hídrico”, Alexandre Lima Nepomuceno, Chefe-Geral do Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa Soja), será reconhecido por sua trajetória de estudos sobre fisiologia vegetal, biologia molecular e tolerância à seca. Há 26 anos, o pesquisador foi condecorado na categoria Juventude, destinada a cientistas de até 35 anos.

Na categoria Juventude, o premiado é Paulo Eduardo Teodoro, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), reconhecido por suas contribuições no uso de tecnologias na agricultura sustentável e Fenotipagem de Alto Rendimento voltada ao desenvolvimento e recomendação de genótipos de soja e milho tolerante a estresses abióticos, especialmente maior eficiência no uso da água.

Já no tema “Inovação em processos de transferência de tecnologias e conhecimentos para a agricultura familiar”, Sonia Sena Alfaia, pesquisadora e professora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), será homenageada na categoria Vida e Obra por sua atuação na geração de conhecimento sobre a agricultura indígena e para o seu desenvolvimento na Amazônia. Entre outros feitos, ela foi responsável pela criação do Programa de Agricultura Indígena da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), que apoia a produção rural dos povos originários no Amazonas.

Raul Victor Magalhães Sousa, estudante do ensino médio com 16 anos, Bolsista de Iniciação Científica Júnior (PIBIC Jr.) pelo CNPq e com orientação da Universidade Federal do Ceará, será condecorado com o prêmio na categoria Juventude em reconhecimento à criação de um sistema que utiliza inteligência artificial, aliada a saberes tradicionais, para previsão de chuva no semiárido Cearense.

A cerimônia de entrega do Prêmio Fundação Bunge será realizada em setembro, na cidade de São Paulo. Os dois contemplados da categoria Vida e Obra receberão um prêmio no valor bruto de R$ 200 mil cada. Já os agraciados na categoria Juventude serão contemplados com R$ 80 mil.

Para Cláudia Buzzette Calais, diretora-executiva da Fundação Bunge, os assuntos escolhidos para a esta edição do prêmio refletem a importância de reconhecer pesquisas que contribuem para enfrentar desafios do País. “As temáticas desta edição refletem dois desafios que estão no centro do desenvolvimento do Brasil. De um lado, a necessidade de produzir alimentos de forma mais sustentável diante dos impactos das mudanças climáticas, especialmente em um ambiente tropical cada vez mais sujeito a eventos extremos. De outro, a importância de garantir que o conhecimento científico e as novas tecnologias cheguem de forma efetiva aos produtores rurais, em especial aos agricultores familiares. Ao reconhecer pesquisas nessas áreas, o Prêmio Fundação Bunge reafirma o papel da ciência como protagonista na construção de soluções que geram desenvolvimento econômico, inclusão social e sustentabilidade”, afirma.

Mais de 70 anos reconhecendo a excelência científica
Criado em 1955, o Prêmio Fundação Bunge, inspirado no Nobel, reforça sua missão de reconhecer pesquisadores que contribuem para o desenvolvimento científico e para a busca de soluções para desafios estratégicos do Brasil, entre eles a sustentabilidade e a inovação no campo. Os pesquisadores são indicados por representantes das principais universidades e instituições científicas do país, e os currículos são avaliados por comissões técnicas independentes formadas por especialistas.

Ao longo de sua trajetória, mais de 200 personalidades brasileiras já foram homenageadas pelo Prêmio Fundação Bunge. Entre elas estão Mariangela Hungria, Adalberto Luis Val, Erico Veríssimo, Hilda Hilst, Jorge Amado, Lygia Fagundes Telles, Manuel Bandeira, Rachel de Queiroz, Marcelo Rubens Paiva, Oscar Niemeyer, Carlos Chagas Filho, Gilberto Freyre, Paulo Freire, Celso Lafer, Fernando Abrucio, Elisabete Aparecida de Nadai Fernandes e Durval Dourado Neto.

Conheça cada um dos contemplados:

Tema: Os desafios da agricultura tropical sustentável: produção em cenários de estresse térmico e hídrico

Categoria Vida e Obra:
Alexandre Lima Nepomuceno, Chefe-Geral do Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa Soja): Possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1987), mestrado em Fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1989), doutorado em Molecular Biology and Plant Physiology – University Of Arkansas (1998) e pós-doutorado no Japan International Research Center for Agricultural Sciences – JIRCAS, Tsukuba, Japão (2000 e 2004). MBA em Gestão de Projetos ESALQ/USP (2021). Desde 1990 é pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). É Docente Titular no curso de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular na Universidade Estadual de Londrina (desde 1999) e do curso de Pós-graduação em Biotecnologia Ambiental na Universidade Estadual de Maringá (desde 2012). Em Agosto de 2022, assumiu seu 9o. mandato, no período de 2001 a 2022, por indicação do Ministro da Agricultura na vaga de titular como especialista em Biotecnologia, na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). De Set2011 a Set2013 coordenou o Programa LABEX US em Plant Biotechnology localizado no ARS/USDA Plant Gene Expression Center, em Albany, California, USA. Foi Presidente do Portfólio de Biotecnologia Avançada aplicada ao Agronegócio (BioTecAgro) da Embrapa de 2014 a 2020. É Membro do Comitê Gestor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Biologia Sintética (INCT-BioSyn). É membro Titular do Comitê Assessor do Centro Latino-Americano de Biotecnologia – CABBIO. Desde abril 2018 representa o Brasil, que participa como convidado, nas reuniões da OECD nos grupos de discussão: Safety of Novel Foods and Feeds (WG-SNFF) e Harmonisation of Regulatory Oversight in Biotechnology (WG-HROB). Atualmente é o Chefe-Geral do Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa Soja). Tem experiência na área de Fisiologia Vegetal, Biologia Molecular, Engenharia Genética e Edição de Genomas (sistemas CRISPR), Tolerância à Seca, obtenção e caracterização de Plantas Geneticamente Modificadas e Biossegurança de OGMs.

Categoria Juventude:
Paulo Eduardo Teodoro, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS): Engenheiro Agrônomo pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e Engenheiro Civil pela Universidade Anhanguera-UNIDERP. Mestre em Agronomia pela UEMS. Doutor em Genética e Melhoramento pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Professor Adjunto da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), nos cursos de Agronomia e Engenharia Florestal no Campus de Chapadão do Sul (CPCS). Docente permanente do Programa de Pós-graduação em Agronomia da UFMS/CPCS e no Programa de Pós-graduação em Agronomia da UNESP/Ilha Solteira. Editor Acadêmico da Plos One e Editor Associado da Agronomy Journal e Crop Science. Revisor de agencias de fomento nacionais (CNPq, FUNDECT, dentre outras). Possui experiência em Biometria, Estatística, Modelagem e Melhoramento de Plantas, trabalhando com os temas: Análise não-paramétrica, Análise Multivariada, Abordagem Bayesiana, Fenotipagem de Alta Precisão, Inteligência Computacional, Interação Genótipos x Ambientes, Métodos de Melhoramento, Modelos Mistos, Sensoriamento Remoto.

Tema: Inovação em processos de transferência de tecnologias e conhecimentos para a agricultura familiar

Categoria Vida e Obra:
Sonia Sena Alfaia, pesquisadora e professora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA): Graduou-se em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal do Amazonas, tem mestrado em Agronomia pela Universidade Federal de Lavras e Doutorado em Sciences Agronomiques pelo Institut National Polytechnique de Lorraine (França). É pesquisadora titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), professora dos cursos de pós-graduação do INPA em Agricultura no Trópico Úmido e Ciências de Florestas Tropicais, onde coordena a disciplina de Características e Manejo de Solos Tropicais. Durante os anos de 2010 a 2014 ocupou o cargo de Secretária Executiva Adjunta de Planejamento e Projetos da Secretaria de Estado da Produção Rural do Estado do Amazonas/SEPROR, onde foi responsável pela elaboração e coordenação de inúmeros projetos de desenvolvimento para o interior do estado. A indicação decorre da contribuição fundamental da Dra. Sonia Alfaia para a produção do conhecimento sobre a agricultura indígena e para o seu desenvolvimento na Amazônia. A indicada foi responsável pela criação do Programa de Agricultura Indígena da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) que apoia a produção rural dos povos originários no Amazonas. O programa atua junto a comunidades tradicionais por meio de editais do PAA Indígena (Programa de Aquisição de Alimentos), garantindo segurança alimentar, etnodesenvolvimento e o escoamento da produção. Sua trajetória combina excelência acadêmica, gestão pública e compromisso social, contribuindo diretamente para políticas públicas e estratégias de sustentabilidade para populações amazônicas.

Categoria Juventude:
Raul Victor Magalhães Sousa: Com 16 anos, é estudante do Ensino Médio na Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Deputado Joaquim de Figueiredo Correia e atua como Bolsista de Iniciação Científica Júnior (PIBIC Jr.) pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), desenvolvendo atividades de pesquisa nas áreas de Ciências Biológicas, Climatologia e Inteligência Artificial (IA). Foi vencedor do 1º lugar nacional na categoria Estudante do Ensino Médio da 31ª Edição do Prêmio Jovem Cientista (2025), promovido pelo CNPq, Fundação Roberto Marinho e parceiros, com projeto voltado à previsão pluviométrica no semiárido a partir da integração entre saberes tradicionais dos profetas da chuva e metodologias computacionais baseadas em Inteligência Artificial. Raul desenvolveu uma ferramenta de aprendizado de máquina para a predição pluviométrica baseada nos saberes tradicionais dos profetas da chuva e dados meteorológicos. O estudo resultou no desenvolvimento de um sistema de aprendizado de máquina com 94,5% de precisão para previsões climáticas no Ceará.

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