Luiz Drude de Lacerda

O carioca Luiz Drude de Lacerda, 55 anos, foi criado no Rocha, bairro de subúrbio longe do mar, mas ia pescar com seu pai quase todos os dias.”Com oito anos comecei a mergulhar, estava sempre na praia.” Na escola, segundo suas próprias palavras, era um aluno desinteressado, que”estudava só para não ser reprovado”. E assim foi até o Ensino Médio no Colégio Marista São José, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro. Foi lá que, por conta de”fantásticos professores de Biologia”, seu amor pelo mar começou a amadurecer. Do Marista, Lacerda partiu para a graduação em Biologia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). O curso tinha acabado de ser transferido para o campus da Ilha do Fundão, ainda hoje longe e de difícil acesso.”Por conta do isolamento do campus eu ficava o dia todo lá”, lembra o carioca.”Foi uma imersão na academia e acabei por me apaixonar por ela.” Formou-se em 1977, e o mergulho acadêmico continuaria no início da década de 1980, durante mestrado e doutorado em Ciências Biológicas pelo Instituto de Biofísica da UFRJ. O mar, naturalmente, o acompanhou. Seu mestrado foi um estudo das halofitas, plantas que vivem em dunas costeiras, para avaliar a troca de nutrientes entre o continente e o oceano. Seu doutorado foi sobre a presença e os efeitos dos metais pesados na Baía de Sepetiba, segunda maior zona industrial fluminense.”Deixei os nutrientes para trabalhar com os contaminantes”, diz. Desde então sua carreira está baseada nas áreas da Biogeoquímica e Contaminação Ambiental, e a contribuição que tem feito às duas não tem sido pequena, tendo sido membro de entidades nacionais e internacionais dedicadas ao tema. Um de seus mais recentes estudos mostra como a construção de barragens de rios, no interior do continente, influencia no avanço do mar no litoral do Sudeste e Nordeste brasileiros. Além de pesquisador, Lacerda tem se destacado também por exercer importante papel na formação de novos recursos humanos para o País. Em 1982, transferiu-se para a Universidade Federal Fluminense e lá participou da criação do curso de Geoquímica Ambiental. Em 2000 foi cedido para o Instituto de Ciências do Mar, da Universidade Federal do Ceará, onde ajudou a criar e coordenou por oito anos o programa de pós- graduação em Ciências Marinhas Tropicais.”Quando montamos o curso tínhamos sete alunos de pós-graduação e nenhum de graduação; hoje são 400 alunos de graduação e 100 de pós. Já estamos com quase 140 mestres formados pelo Instituto.” Em 2009 foi eleito para a Academia Brasileira de Ciências e em 2011, após 20 anos dedicado à pós-graduação, retoma as aulas na graduação.

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