Quando foi publicado Casa-grande e senzala, em 1933, o Brasil parecia ter encontrado não só um espelho onde se mirar, mas também a chave de seu enigma. Ao atacar a teoria racista de Oliveira Viana, que considerava a miscigenação ocorrida no Brasil um dos fatores de nossa penúria, Gilberto de Mello Freyre (1900-1987) estava destruindo pela base a visão simplória sustentada a respeito de nossa cultura.
Sua tese remexia o cadinho cultural nacional e celebrava nossa formação – caracterizada, segundo ele, por uma perpétua”orgia” de trocas entre negros e mulatos, padres e chefes de candomblé, sexo e comida, arquitetura e trópicos.
Esta obra é considerada um marco no pensamento brasileiro, ao lado de duas outras que ajudam a revelar o país: Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, e A formação do Brasíl contemporâneo, de Caio Prado Júnior. Seu mérito foi apresentar uma visão não-convencional da realidade, a partir de pontos de vista antes não examinados, como a vida sexual, a alimentação, o cotidiano e o papel do escravo.