Na época da criação da Orquestra Sinfônica Brasileira, Eleazar de Carvalho (1912 – 1996), então com 30 anos, foi convidado para ser o regente assistente. Na ocasião já havia composto uma ópera, A descoberta do Brasil, encenada com libreto de Joaquim Ribeiro. A história de sua formação é peculiar.Quando completou 11 anos, seu pai o enviou para a Marinha, naquele tempo uma espécie de escola correcional. Interessado na comida servida para a banda, ofereceu-se para integrá-la. Em poucos anos, passou a fazer parte da Escola de Aprendizes do Ceará, do Corpo de Marinheiros Nacionais e da Banda de Grumetes. Estudou teoria, solfejo e harmonia, e em seguida fez um curso de regência com o maestro Francisco Mignone.No período em que permaneceu na Orquestra Sinfônica Brasileira, entre 1942 e 1946, Eleazar de Carvalho regeu concertos e óperas de grandes autores. Viajou em 1946 para os Estados Unidos, onde se aperfeiçoou com Koussevitzky, de quem se tornou assistente. Em 1947, dirigiu a Orquestra Sinfônica de Boston, conquistando o público local não só por seus profundos conhecimentos da Sinfonia fantástica, de Berlioz, e posteriormente das sinfonias de Mahler e de Beethoven, como por sua concepção musical natural e sincera. Estreou na Europa em 1950, no Palais des Beaux-Arts, em Bruxelas.Em 1951, assumiu a cátedra de regência do Berkshire Music Center, ao lado de Leonard Bernstein. Durante dez anos regeu a Orquestra Sinfônica de Saint Louis, com a qual apresentou mais de mil concertos. Entre 1968 e 1973 foi o único brasileiro a ocupar o cargo de regente titular e diretor artístico de instituições orquestrais norte-americanas.Após se doutorar em música pela Universidade de Washington, Eleazar de Carvalho passou a lecionar em algumas das principais universidades dos Estados Unidos.Entre seus alunos destacaram-se Zubin Mehta, Claudio Abaddo e Gustav Meier.Formou-se também em letras e humanidades pela Universidade Hofstry, de Nova York. Eleazar de Carvalho é autor das óperas Tiradentes, A retirada de Laguna e de Sinfonia branca. Rege a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, com a qual já apresentou diversas primeiras audições, divulgando a música contemporânea.