Por sua contribuição aos estudos críticos e histórico-literários, Maria Flora Süssekind (1955) já tem lugar assegurado entre os nomes de peso no campo da crítica literária brasileira.
A sua tese de doutorado, que lhe valeu o Prêmio Santista Juventude, foi realizada na forma de ensaio literário e tenta datar o início da ficção romântica no Brasil.
Uma ampla pesquisa em material veiculado nas décadas de 30 e 40 do século passado permitiu a Maria Flora Süssekind reconstituir o narrador de ficção da prosa brasileira desse período. É um narrador que também desempenha funções de historiador e cronista de costumes, o que se verifica tanto pela produção de histórias nacionais e tratados descritivos do Brasil – alguns deles relatos de viajantes estrangeiros no país – como pelo traço dos caricaturistas das revistas ilustradas nacionais das décadas de 60 e 70 daquele século.
Outra obra de destaque da autora é O cinematógrafo de letras, na qual analisa as relações entre o período literário imediatamente anterior ao modernismo e o novo horizonte técnico que então se configurava no Brasil. Nesse trabalho demonstra a forma pela qual as inovações marcaram a sensibilidade e o cotidiano de autores e leitores e afetaram as formas e técnicas literárias.