Oriundo de uma tradicional família gaúcha em plena decadência econômica, Érico Veríssimo (1905-1975) trabalhou como ajudante de comércio, bancário e balconista de farmácia durante sua juventude em Cruz Alta, ao mesmo tempo em que mergulhava na leitura de Bernard Shaw, Machado de Assis e Jonathan Swift.
A primeira porta para o mundo da literatura foi a Revista da Editora Globo, que em 1928 publicou seu conto”Ladrão de Gado”.
Iniciou o chamado ciclo sul-rio-grandense com Clarissa (1933) e continuou com Música ao longe (1934), Caminhos cruzados (1935), Um lugar ao sol (1936), Olhai os lírios do campo (1938) e Saga (1940). É o ciclo da memória, do intimismo impregnado de uma crônica essencialmente gaúcha, romântica, com personagens da classe média urbana.
Com a trilogia O tempo e o vento, obra de tom épico sobre a realidade social e a história do Rio Grande do Sul, seu nome entrou definitivamente para a literatura brasileira. Entre outras obras, lançou a seguir O senhor embaixador (1965), uma sátira aos costumes políticos e diplomáticos, e Incidente em Antares (1971), em que trata, num ambiente fantástico, do comportamento humano nas comunidades modernas.