Intelectual de formação abrangente, Fernando de Azevedo (1894-1974) desenvolveu uma atividade diversificada e pioneira.
Renunciou à vida religiosa e, em 1918, diplomou-se em direito, mas jamais advogou. Preferiu continuar dedicando-se ao ensino do latim e da psicologia e à crítica literária na imprensa. No jornal O Estado de S. Paulo, levantou em 1926 o grande inquérito sobre a instrução pública brasileira, com vistas à criação de universidades. Esse inquérito teve grande repercussão em todo o país e deu origem à obra A educação na encruzilhada, publicada em 1937.
De suas pesquisas históricas, sociológicas, econômicas e políticas – entre elas uma sobre o ciclo do café e outra sobre a cidade de São Paulo – resultaram livros fundamentais para a compreensão da formação brasileira, como Canaviais e engenhos na vida política brasileira (1948) e Um trem corre para o oeste (1950).
Dos 25 volumes que compõem sua obra, também são fundamentais A cultura brasileira (1971), a autobiografia História da minha vida (1971), Princípios de sociologia (1931) e Sociologia educacional (1965). Fernando de Azevedo foi secretário de Educação e Saúde do Estado de São Paulo em 1947, secretário de Educação e Cultura do município de São Paulo em 1961, além de presidente da Associação Brasileira de Educação, da Sociedade Brasileira de Sociologia e vice-presidente da lnternational Sociological Association, fundada em Oslo pela UNESCO – organismo que o convidou a escrever, junto com outros intelectuais brasileiros e estrangeiros, uma monumental História da humanidade.