O paulistano César de Castro Martins é especialista em poluição marinha. Aos 34 anos, Martins se destacou em seu campo com pesquisas sobre marcadores orgânicos, substâncias químicas identificadas em amostras do fundo oceânico que apontam para a presença de poluição oriunda do petróleo e de esgoto doméstico. O curioso é que hoje ele trabalha num paraíso.”Trabalho na cidade de Pontal do Paraná, num campus avançado da Universidade Federal do Paraná, vejo a Ilha do Mel da minha janela”, diz Martins, que é professor adjunto do Centro de Estudos do Mar da UFPR.”Aqui não temos contaminação nos níveis verificados em outros estuários da costa brasileira, então adaptei minha pesquisa para entender os processos de transferência de material orgânico entre o continente e o mar.” Mas nem sempre foi assim. Formado em Química pela USP (Universidade de São Paulo) em 1998, Martins afirma ter tido”a honra de fazer parte de umas das melhores turmas das últimas décadas”, referindo-se a vários colegas que hoje são professores de universidades públicas ou com cargos de destaque na iniciativa privada. Ele não fica atrás. Fez mestrado, doutorado e pós-doutorado pelo Instituto Oceanográfico da USP. Foi pesquisador visitante do Environmental Change Research Centre, da University College of London, no Reino Unido, em 2006. O mestrado, sobre a introdução de esgoto da estação de pesquisas brasileira na Antártica, foi concluído em 2001, mas rendeu um vínculo que dura até hoje entre o pesquisador e o continente mais ao sul do planeta. Além de desenvolver pesquisas para o Programa Antártico Brasileiro, focadas no monitoramento ambiental desta região, Martins coordena o núcleo regional do Paraná do PaleoAntar, projeto multi-institucional de pesquisa sobre mudanças abruptas no clima da Antártica nos últimos 3 mil anos. Em seu doutorado, concluído em 2005, descreveu o histórico de contaminação ambiental do estuário de Santos ao longo dos últimos 60 anos.”Nossos estudos refletiram tendências globais, como a diminuição da queima de combustíveis fósseis no final da década de 1970, em virtude da crise do petróleo.” Martins ainda coordena o Programa de Pós-graduação em Sistemas Costeiros e Oceânicos da UFPR, já orientou três mestrados e está orientando dois doutorados. Contribui, assim, para que novas turmas de pesquisadores dos oceanos sejam tão especiais quanto foi a sua.