Não fosse por uma excursão de colégio, o Brasil teria perdido um de seus melhores engenheiros agrônomos ? e talvez centenas de milhões de dólares em produtividade agrícola. Aos 17 anos, José Roberto Postali Parra foi com sua turma do 3o ano científico do Colégio Culto à Ciência, em Campinas, numa visita à Esalq (Escola Superior de Agricultura”Luiz de Queiroz”, da USP), em Piracicaba. Até então, Parra acreditava que seu gosto pelas Ciências Biológicas o levaria para a Medicina, mas a grandiosidade do campus da Esalq provocou uma mudança de rumo.”Eu me apaixonei pela Escola.” E em vez de estudar o corpo humano, foi estudar insetos. Formado em Engenharia Agronômica pela Esalq, Parra direcionou seus estudos desde cedo para o campo da Entomologia, primeiro como estagiário, depois como mestrando e doutorando daquela instituição (ainda faria pós-doutorado na área pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos). Iniciou sua atividade profissional no Instituto Agronômico de Campinas, mas foi mesmo na Esalq que construiu sua carreira de ensino e pesquisa: desde 1974 é professor da Escola, da qual também foi diretor e coordenador do programa de Pós-Graduação em Entomologia.”Os insetos podem ser um problema para a Agricultura, mas também uma solução”, diz Parra, referindo-se às técnicas de controle biológico e manejo integrado de pragas agrícolas, que ele ajudou a difundir no País. Diferentemente do controle químico, feito por meio de pesticidas, o controle biológico emprega inimigos naturais das pragas no manejo da lavoura ? insetos que parasitam insetos, por exemplo. Assim é que as vespinhas dos gêneros Cotesia e Trichogramma ajudam a salvar milhares de hectares de cana-de-açúcar da infestação da broca-da-cana, uma de suas maiores pragas, que também ataca o milho e o arroz, entre outras culturas. Ou que feromônios produzidos em laboratório são utilizados no campo para atrair e monitorar o bicho-furão, que ataca os citros. Nos dois casos e em diversos outros, a contribuição de Parra ? mais de 40 anos de pesquisa, 17 livros e 280 trabalhos publicados ? tem sido fundamental para estabelecer a metodologia exata desse controle biológico. Hoje, aos 66 anos, Parra diz ainda ter desafios pela frente, como a coordenadoria de um programa internacional de controle do greening, principal doença dos citros no mundo, que ele assume em setembro, na Costa Rica. Mas ao seu lado estarão os mesmos pequenos grandes parceiros de toda a vida: os insetos.