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Criatividade: uma solução para a educação no Brasil

Publicado em 27/06/07 às 10h45 envie a um amigoenvie para um amigo

Por Ruy Martins Altenfelder Silva

A educação no Brasil é pauta de muita discussão por ser um direito de todo cidadão brasileiro, garantido por Lei, mas que, no entanto, não é acessível a toda população. Hoje, no Brasil, temos apenas 55 milhões de alunos matriculados no ensino básico, pré-escola, ensino fundamental e ensino médio. Este número se torna menos expressivo em regiões desfavorecidas. Segundo números do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - apenas 18% dos gastos com educação atingem a faixa dos 20% dos estudantes carentes.

O sistema educacional brasileiro cresceu, porém ainda não chegou ao modelo ideal. Infelizmente, muitos alunos que freqüentam a escola possuem um baixo grau de escolaridade e, os poucos que se formam, não estão aptos a atender as demandas do mercado. Neste sentido, a tecnologia, por exemplo, é vista como uma boa solução para sanar tais deficiências. Contudo, não se pode esquecer que a falta de recursos das escolas públicas impossibilita que a educação se expanda em larga escala pelo território nacional com qualidade e responsabilidade e que os professores participem frequentemente de cursos de atualização.

A falta de estímulo ao educador causa conseqüentemente um desinteresse nos alunos que vêem na atual metodologia tradicional de ensino uma forma ineficaz e desinteressante de educação. Esta metodologia não deve, de forma alguma, ser abandonada, mas sim, tornar-se produtiva e atender às diversidades do País.

Então, o que nos resta fazer diante de um quadro tão desanimador. É inegável que não podemos ignorar os avanços tecnológicos e as tecnologias hoje existentes, mas a melhor maneira de solucionar o problema da educação ainda é o homem e o seu poder de imaginação e de transformação da realidade ao seu redor.

Os professores, além da questão da remuneração e da falta de reconhecimento, têm carência de material educativo, dificultando a sua atuação profissional. Como então cumprir sua importante tarefa como educador? Mais uma vez, fazendo uso da criatividade, que deve ser uma prática largamente incentivada pelas instituições de ensino.

Ao usar o poder criativo, o educador pode estimular os alunos a buscarem maneiras diferentes e inovadoras de realizarem suas atividades escolares e conduzirem o seu cotidiano. Apostando na interdisciplinaridade muitas escolas estão conseguindo vencer este desafio, executando projetos, revendo conceitos e proporcionando aos estudantes uma educação lúdica, com mais qualidade e desenvolvimento da criatividade dos mesmos.

Um exemplo de atividade inusitada que deu certo vem de um professor de uma praia da zona rural, a 30 km do Município de Rio do Fogo, no Distrito de Pititinga, no Rio Grande do Norte. Para contribuir com a consciência artística e cultural dos seus estudantes e ensinar a arte rupestre, o educador criou um projeto para os alunos da quarta série do ensino fundamental, por meio do qual deu orientação de como confeccionar instrumentos rudimentares, como martelo, pinceis de corda e de pêlo de rabo de porco e cavalo com tintas de argila, tijolo e telha. De posse destes materiais, os alunos estudaram as obras do pintor holandês Vincent Van Gogh e fizeram uma releitura da obra “Doze Girassóis numa Jarra”, que foram expostas na comunidade. A partir desta experiência, estas crianças passaram a se interessar mais por arte e cultura.

Outra ação bem sucedida foi o de uma professora do Paraná que, após observar a intensa troca de cartões telefônicos entre os alunos, que continham informações sobre fauna, flora e história do Brasil, desenvolveu um projeto pedagógico para uma turma de quarta série do ensino fundamental. Os estudantes juntaram mais de 2,5 mil cartões que foram utilizados em diversas atividades como criação de poesias inspiradas em paisagens dos cartões, leitura das legendas e cópias dos textos. O projeto despertou nos alunos o interesse pela leitura e pela escrita.
As escolas deveriam incentivar ações simples, porém eficazes como estas, que permitem aos alunos criar utilizando materiais inusitados. Mas não é só isso, é necessário também que elas se preocupem com a qualidade das aulas e as metodologias utilizadas pelos professores, acompanhando e incentivando novos modelos que geram bons resultados. Países com nível elevado de educação formam cidadãos conscientes, que possuem melhores condições de saúde, são mais organizados, têm menores índices de criminalidade e colocam em prática a sua cidadania. Por isso, a Fundação Bunge escolheu a Educação como um dos temas do Prêmio Fundação Bunge a fim de colaborar, destacar a profissão e estimular a continuidade do aperfeiçoamento e do reconhecimento nacional de profissionais da educação no Brasil.

Ruy Martins Altenfelder Silva é superintendete geral da Fundação Bunge

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