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Valor Compartilhado: empresa e comunidade

Publicado em 03/05/18 às 16h30 envie a um amigoenvie para um amigo

Por Cláudia Buzzette Calais

A chegada de empreendimentos a determinados territórios gera uma maior pressão demográfica, maior demanda por serviços e por infraestrutura, o que, por sua vez gera uma maior pressão sobre o poder público local. O desafio, nesses casos, é fazer com que este ciclo não seja uma ameaça, e sim uma oportunidade, tanto para os empreendimentos como para os territórios. É o que Michael Porter e Mark Kramer, gurus em planejamento e estratégia,  chamam de valor compartilhado. Mas será que é possível desenvolver ações que sejam interessantes tanto para o negócio como para as comunidades? Muitas iniciativas de desenvolvimento territorial têm demonstrado que isso não só é possível como é necessário perceber a questão sob essa perspectiva.

O grande desafio nessa equação é como fazer com que os impactos de um grande projeto em um território se convertam em oportunidades, e não em ameaças. É preciso se lembrar que, junto com todas as demandas geradas, também chega o crescimento econômico, por meio dos impostos, salários pagos aos colaboradores, demanda por fornecedores, atração de outros investidores à região. Aí surge um segundo desafio: evitar o vazamento do crescimento econômico. Fazer com que as riquezas geradas pelos empreendimentos fiquem, de fato, naquele  território e colaborem na promoção do desenvolvimento socioeconômico dos municípios.

A realidade encontrada hoje na maioria dos 5.570 municípios brasileiros é de total desconexão entre as políticas públicas municipais e as que são regidas pela União. Boa parcela desses municípios por ter menos de 50 mil habitantes não se enquadra na maioria dos planos de governo para obtenção de recursos federais, ficando reféns de políticos locais, pois dependem de recursos oriundos de emendas parlamentares. Estão, portanto, à deriva na busca de soluções para os desafios socioeconômicos que, em sua maioria, não criaram, mas que precisam enfrentar. Esse descompasso, na prática, se reflete em educação de baixa qualidade, ineficiência de serviços básicos de saúde, infraestrutura deficitária e gestão estratégica míope. Como é possível para esses municípios olhar para o futuro, se não é possível garantir o que está sendo exigido para o agora?

Neste cenário, uma empresa que leva um novo projeto para essas regiões tem dificuldade de contratação de funcionários e fornecedores locais e também de contar com infraestrutura básica adequada, como sistema de água, energia, internet e estradas. Essa realidade não é boa nem para o empreendimento, nem para o território. Para a empresa, contratar empregados e fornecedores de outras localidades encarece o custo fixo de produção pois, para atraí-los, é necessário garantir uma série de benefícios adicionais. Para o território também não é bom, uma vez que o salário que poderia girar a economia local acaba indo para as regiões de origem dos contratados.

A falta de infraestrutura também pesa. O município deixa de atrair investidores e, quando consegue, lá na frente vem a conta: uma maior pressão da empresa por serviços, pois ela precisa reter seus colaboradores. O empregado muitas vezes aceita a proposta de trabalho, mas, quando a família chega, se não encontra  sistemas de saúde e educação adequados, por exemplo, ela retorna. Isso amplia os índices de turnover nas empresas. Mas há a pressão inversa também. Se o município possui serviços suficientes para atender à sua população e chega um empreendimento que começa a atrair mais gente, gerando uma maior pressão demográfica e demandas por serviço, o poder público também começa a pressionar o empreendimento por soluções.

É equivocada a percepção de algumas empresas de que o desenvolvimento socioeconômico dos territórios não diz respeito à sua esfera de atuação. Este engano pode gerar tudo o que as empresas mais temem: aumento de custos. Se os impostos pagos por elas não são bem empregados, o território não se fortalece. Se o município não possui bom nível educacional, a empresa não consegue contratar colaboradores locais; se não tem saneamento básico e rede de água tratada, dificilmente bons profissionais são atraídos. Ou seja, todos perdem.

A equação é desafiadora e o caminho para a solução passa por um esforço integrado entre as diferentes partes envolvidas: empresa, governos, sociedade civil e entidades, entre tantas outras. Ações complexas exigem soluções integradas. Caso contrário, os desafios socioeconômicos persistirão. A abordagem tem de ser coletiva. E para que a coletividade se estabeleça, a solução precisa fazer sentido para todas as partes envolvidas. O caminho passa pelo respeito às dinâmicas e vocações dos territórios; a construção de uma agenda comum de trabalho; a atuação partilhada, utilizando expertises das diversas partes na solução dos desafios comuns; e muito, muito diálogo.

 

No final, todos ganham, pois o trabalho coletivo não pesa para ninguém, já que cada parceiro atua dentro da sua área de conhecimento: governos em políticas públicas, a sociedade civil auxiliando no planejamento e fiscalização das ações propostas e a empresa utilizando a sua liderança e poder do capital para oferecer o impulso necessário para dar início ao processo de transformação. Ações coletivas otimizam recursos financeiros e humanos e geram maior impacto social. Elas fortalecem também a percepção positiva dos envolvidos, ajudam a mitigar riscos para o território e os negócios e promovem um ambiente mais próspero, além de proporcionar mudanças culturais geradas a partir da convivência entre diversos. O trabalho em rede é um passo importante na direção de que negócio bom tem de ser bom para todas as partes envolvidas. É necessário que empresas, governos, sociedade civil, entidades e tantos outros que queiram fazer parte se associem na busca do desenvolvimento econômico e bem estar social. A interdependência entre eles é clara. 

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