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Prêmio Fundação Bunge 2017

DESAFIOS GLOBAIS DA SUSTENTABILIDADE DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO

Ciências Agrárias

Na busca pela segurança alimentar e energética do planeta, nem o maior potencial agrícola do mundo é suficiente. Tome-se o Brasil, por exemplo. Em termos de recursos hídricos, temos a maior bacia hidrográfica e a maior reserva subterrânea da Terra. Em quantidade de espécies de flora e fauna – biodiversidade –, também estamos à frente. O País tem não só dezenas de milhões de hectares agriculturáveis, como uma ciência inquestionavelmente avançada em técnicas voltadas para uma produtividade sustentável. E ainda que, por fatores externos à Academia, nem sempre seja aplicado todo o conhecimento científico disponível, fato é que o Brasil sabe como produzir mais consumindo menos água, como recuperar solos degradados, como manejar pragas e preservar a saúde de plantas e animais. É o que, há anos, o Prêmio Fundação Bunge vem provando, ao homenagear pesquisadores dedicados a alargar o nosso saber no campo das Ciências Agrárias.

No entanto, o Brasil não está sozinho no mundo. Nenhum país está. E se, numa escala regional, o advento de novas técnicas e a disponibilidade de recursos naturais pode significar grandes conquistas, em escala global os desafios à produtividade têm de ser enfrentados por todas as nações do mundo, coordenadamente. Pouco adianta zerar a produção líquida de dióxido de carbono (CO2) em uma região do planeta, por exemplo, se China e Estados Unidos mantiverem seus atuais índices de emissão. O aumento de temperaturas continuará ocorrendo – inclusive em áreas pristinas como a Amazônia, as calotas polares e os oceanos – comprometendo a produção global de alimentos e de energia como um todo.

Da mesma forma, pouco adiantam cuidados sanitários em uma ponta do mercado internacional, se em outra ponta não seguirem o mesmo caminho. Trata-se de questão comercial e diplomática das mais delicadas estabelecer e cumprir padrões produtivos sustentáveis sem perder competitividade, equilibrar ciência e negócios para superar barreiras alfandegárias e garantir o sucesso do produto nacional, sem negligenciar a saúde humana ou do planeta.

Daí porque a adesão a acordos de clima e a metas, como os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), definidos pela ONU em 2015, tem de ser global para ser efetiva. Trata-se de um desafio que requer, fundamentalmente, interlocução. Entre campos do saber – das Ciências Agrárias, mas também das Ciências Biológicas, do Direito Internacional, do Comércio Exterior, da Diplomacia – e interlocução entre os múltiplos atores envolvidos: pesquisadores, iniciativa privada, organizações da sociedade civil, líderes de estado. É preciso transparência para a socialização de informações e abertura de todos para o diálogo em busca de um entendimento comum – objetivo sempre delicado, em especial numa época em que o mundo parece levantar mais barreiras do que pontes entre nações.

O Brasil tem plenas condições não apenas de participar desse diálogo como de conduzi-lo, contribuindo com o planeta sem esquecer o compromisso com o desenvolvimento do agronegócio nacional – que ainda pode avançar muito, com conservação de seus recursos naturais, geração de renda e inclusão social. E é por acreditar nisso que a Fundação Bunge dedica o prêmio deste ano à nossa participação no enfrentamento desse desafio global.