Prêmio 2016 - Prêmio Fundação Bunge - Projetos - Fundação Bunge
Texto

Prêmio Fundação Bunge 2016

Felipe do Nascimento Vieira

Nutrição e Alimentação Animal – Categoria Juventude

“Um animal saudável crescerá melhor, mais rápido e com menor risco de perdas por enfermidades. Isso significa uma produção mais eficiente e com menor impacto ambiental.”

Felipe do Nascimento Vieira sabe que o sucesso dificilmente vem sem um esforço coletivo. Por isso, ao ser escolhido o contemplado do Prêmio Fundação Bunge 2016, na categoria Juventude, por sua atuação na área de Nutrição e Alimentação Animal, fez questão de ressaltar a contribuição de todos que trabalham com ele. “Somos um grupo muito grande. Tenho a sorte de participar de um laboratório onde todos trabalham em harmonia, unidos pelo mesmo foco”, comemora. Felipe é um dos 12 pesquisadores do Laboratório de Camarões Marinhos (LCM) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde cerca de 80 alunos estão envolvidos em diversos projetos voltados para a pesquisa de ponta na área e na disseminação do conhecimento.

Quando chegou à UFSC, em 2000, Felipe já trazia em si a inclinação para o campo de estudos que iria seguir. Oriundo de Laguna, cidade do litoral sul de Santa Catarina, famosa pelos seus balneários naturais, ele cedo se interessou pela vida aquática, os animais e a pesca, uma das principais atividades econômicas de seu município natal. “Laguna é uma cidade de praia. Lá eu cresci vendo os pescadores jogando suas tarrafas no litoral. Lá, se pratica a pesca com os golfinhos (na qual os cetáceos cercam e empurram os peixes em direção às redes dos pescadores). É algo que já estava no meu sangue”, lembra.

“A Agronomia é uma paixão de família. Meu pai, minha irmã, meu padrinho, meus dois primos, que considero como irmãos, todos cursaram”, explica. Outro amor herdado foi a carcinicultura – criação de camarões em viveiros. Quando o hoje pesquisador estava no Ensino Médio, seu pai iniciou uma criação de camarões. Era natural que um interesse se juntasse ao outro, e Felipe foi para Florianópolis, cursar Agronomia. Na terceira fase do curso, começou a estagiar no LCM. Nesse momento, sua pesquisa era mais relacionada à reprodução do crustáceo.

Foi no mestrado, iniciado em 2005 e concluído em 2006, que Felipe começou a trabalhar com foco no tema que até hoje domina a sua pesquisa, a Nutrição e a Alimentação Animal, com ênfase no uso de aditivos alimentares (probióticas, prebióticos, ácidos orgânicos e bioativos), ingredientes alternativos à farinha e ao óleo de peixe em dietas para camarões. Sua dissertação abordava a “Avaliação do Tempo de Permanência de Lactobacillus B6 no Trato Intestinal de Camarões Marinhos (Litopenaeus vannamei) e Sua Relação com A Resposta Imunológica”. No doutorado, que concluiu em 2010, ele continuou no tema. Sua tese investigava a “Seleção e Utilização de Bactérias Probióticas no Controle das Enfermidades do Camarões Marinho” e ganhou, em 2011, o Premio Capes de Teses – Área Zootecnia e Recursos Pesqueiros.

Em toda essa trajetória, o LCM foi parte essencial no desenvolvimento dos estudos e de um sem número de projetos de pesquisa e extensão. “No laboratório, o principal foco é a saúde dos animais cultivados. Um animal saudável crescerá melhor, mais rápido e com menor risco de perdas por enfermidades. Isso significa uma produção mais eficiente e com menor impacto ambiental”, explica. As bactérias probióticas, que estão no cerne da pesquisa de Felipe, melhoram as propriedades da microflora do sistema digestivo dos camarões, protegendo-os de doenças e melhorando a qualidade da água onde eles são criados. Elas suplantam a necessidade de usar antibióticos, por exemplo, hoje proibidos no Brasil, pelo perigo que estas substâncias apresentam de selecionar bactérias nocivas superresistentes e pelos resíduos que deixam na carne dos animais produzidos.

Não é apenas o trabalho em equipe que Felipe destaca. Ele também faz questão de ressaltar o apoio que o LCM recebe para o desenvolvimento de suas pesquisas, suporte crucial para continuar formando recursos humanos com alta qualificação. “O apoio governamental, através das instituições de fomento, não foi pequeno. A iniciativa privada também está presente em vários projetos do laboratório. Estamos com muitos experimentos em parcerias com empresas", diz o pesquisador.

Esse apoio mostra a importância do setor. Felipe lembra que as capturas de pesca em mar aberto têm estagnado no mundo, fazendo com que, cada vez mais, a produção em criadouros de alimentos de origem marinha, como peixes, moluscos e crustáceos, seja a responsável por suprir a demanda global por pescados. “O ano de 2013 foi o ano em que pela primeira vez o mundo produziu em cativeiro mais do que pescou”, diz Felipe. Daí a necessidade de avanços significativos e urgentes na área da Aquicultura.

Se depender da dedicação de Felipe do Nascimento Vieira, esses avanços virão. Não somente dele, mas também dos inúmeros alunos de mestrado e doutorado que orienta, no programa de pós-graduação em Aquicultura da UFSC. A paixão pela pesquisa e pela disseminação do conhecimento só faz aumentar no coração deste lagunense. Quando perguntado sobre como vê sua carreira daqui a 20 anos, sabendo que este é só o começo de uma carreira brilhante, ele não hesita. “Eu gosto é da chamada ‘pesquisa de chão’. Gosto de estar no meio dos alunos. Aconteça o que acontecer, daqui a 20 anos, eu gostaria de estar fazendo algo junto a eles”.