Prêmio 2015 - Prêmio Fundação Bunge - Projetos - Fundação Bunge
Texto

Prêmio Fundação Bunge 2015

AVANÇAR NO CAMPO PARA NÃO AVANÇAR NA FLORESTA

Fazer o agronegócio crescer, expandindo o mínimo possível as áreas de lavouras e pastagens. Produzir mais por hectare, conservando mais e desmatando menos. Avançar no campo para não avançar na floresta.

Nenhum desafio é mais importante hoje, no campo das Ciências Agrárias, do que este.
Após séculos seguindo uma cartilha expansionista e extrativista, a humanidade recebeu a conta da natureza e descobriu que não podia mais seguir em frente. Para atender a demanda do planeta por alimentos e energia, sem esgotar a capacidade renovável dos recursos naturais, é preciso investir em produtividade, em eficiência, em crescimento sustentável. Evitar novos erros, através de práticas agrícolas conservacionistas, e corrigir o que já foi comprometido.

Para contribuir com esse objetivo, a Fundação Bunge escolheu como um dos temas do Prêmio Fundação Bunge 2015 a RECUPERAÇÃO DE SOLOS DEGRADADOS PARA A AGRICULTURA.

No ano que a FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, elegeu como o Ano Internacional dos Solos, o Prêmio Fundação Bunge vem como um reconhecimento e um incentivo. Por um lado, há o reconhecimento de que, nas últimas décadas, o Brasil se estabeleceu como uma das maiores potências agrícolas do mundo, graças a investimentos estratégicos em Ciência e Tecnologia, a instituições de pesquisa sólidas e às centenas de homens e mulheres dedicados a levar ao campo o que o biólogo Adalberto Luis Val, conselheiro da Fundação Bunge, classifica como “o estado da arte” das técnicas agrícolas. Soluções como o plantio direto (sem a utilização do arado), a rotação de culturas e a integração lavoura-pecuária-floresta, aliadas à aplicação precisa de insumos e corretivos, são hoje largamente utilizadas para prevenir males como a erosão, a compactação do solo, o esgotamento de nutrientes, a salinização e a desertificação, preservando a fertilidade dos solos brasileiros – ou ajudando a recuperá-la, caso já se encontrem em algum estágio de degradação.

Por outro lado, o Prêmio Fundação Bunge é também um incentivo, porque ainda há espaço para avançar. É o caso das pastagens brasileiras. Dos 172,3 milhões de hectares ocupados pela criação de gado bovino, atividade de maior extensão em termos de uso do solo, apenas 40% foram considerados pastagens em boas condições por estudo da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República e da Universidade Federal de Goiás (Radiografia das Pastagens do Brasil, dezembro de 2014). Nossas pastagens suportam, em média, apenas 1,1 animal por hectare, por não conseguirem produzir pasto suficiente para mais bois. Segundo estimativas do Governo, se mantido o mesmo rebanho e recuperadas as pastagens para abrigarem 1,4 animal por hectare, o País liberaria 44 milhões de hectares para somar aos 76,7 milhões já dedicados à produção de grãos e de bioenergia – sem prejudicar a produção de carne e leite e sem a necessidade de expandir a fronteira agrícola.Não é à toa que, como nota o engenheiro agrônomo Carlos Eduardo Cerri, ganhador do Prêmio Fundação Bunge em 2009, entre várias linhas de financiamento do Plano ABC (Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o pasto concentra grande número de projetos.

Para Gonçalo Signorelli de Farias, presidente da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, as oportunidades de avanço na área não se limitam à pecuária. “O Brasil tem centenas de tipos diferentes de solo, que requerem abordagens e tratamentos diferentes, mas não temos ainda um inventário bem feito, sistemático, de toda essa diversidade”, diz o agrônomo. “E ainda temos uma legislação confusa sobre o uso adequado do solo agrícola.”

Tanto Cerri quanto Farias, porém, afirmam que a Ciência brasileira tem feito sua parte. “Tenho convicção de que já conhecemos bem as possíveis técnicas a serem adotadas em cada situação de degradação. O que realmente falta é aplicá-las”, diz Cerri. “Temos solução para tudo”, concorda Farias. “Pode não ter dinheiro para aplicar, mas temos solução.”

Que o Prêmio Fundação Bunge 2015 contribua, assim, para reconhecermos o tanto que evoluímos no manejo de nossos solos – e identificarmos o que ainda falta evoluir.