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Prêmio Fundação Bunge 2013

Recursos Hídricos e Agricultura

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Privilégio e responsabilidade

De cada dez litros de água doce utilizados pelo homem no mundo, sete são para a agricultura irrigada. A proporção não surpreende: se um dos maiores desafios da humanidade, hoje, é acabar com a fome que acomete quase um bilhão de pessoas, produzir mais e melhores alimentos torna-se indiscutivelmente um imperativo (estimativas das Nações Unidas indicam a necessidade de se dobrar a produção atual até 2050). E produzir alimentos demanda água.

O desafio, ao qual o mundo vem se dando conta com alarme crescente nas últimas décadas, é que a água está se esgotando. Se não desenvolvermos e implementarmos formas mais eficientes de uso desse recurso, seremos incapazes de suprir não apenas as demandas agrícolas, mas as demandas de quase todas as atividades que garantem a nossa sobrevivência. Somada a esta questão, a distribuição de água no planeta está longe de ser equânime. Somente o Brasil detém cerca de 12% de toda a água doce superficial da Terra (quase toda essa água, concentrada na Amazônia), além de duas das maiores reservas subterrâneas do mundo, os aquíferos Guarani e Alter do Chão. No início do século XXI, isso significa ser possuidor de grande privilégio e responsabilidade.

Por reconhecer o papel de destaque do Brasil neste tema e o trabalho da Academia na busca de métodos eficientes que otimizem a relação entre Recursos Hídricos e Agricultura, a Fundação Bunge lhes presta uma homenagem, ao eleger esse campo de pesquisa como um dos temas contemplados pelo Prêmio Fundação Bunge 2013.

Enormes oportunidades

“Por muito tempo acreditou-se na dicotomia entre agricultura e conservação dos sistemas hídricos. Essa dicotomia não deve e não pode mais existir no mundo moderno.” A declaração é do biólogo Adalberto Luis Val, diretor do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e membro do Conselho Administrativo da Fundação Bunge. Segundo Val, o atual paradigma exige um olhar mais amplo para a relação entre água e agricultura – “dois dos temas mais prementes em termos do bem-estar da humanidade” –, que não se limite a considerar a água como simples insumo para lavouras: “Vamos lembrar que a água é também o meio receptor final de todas as atividades humanas, de todos os poluentes. Portanto, precisamos desenvolver novas formas de interação com os sistemas aquáticos de maneira geral, para tê-los mais saudáveis – inclusive para a agricultura”.

Os desafios para os pesquisadores e para a sociedade de um modo geral são enormes. As oportunidades também.

Há oportunidades na busca por métodos e técnicas mais eficientes de irrigação, que evitem o desperdício (de acordo com as Nações Unidas, 60% da água utilizada é perdida por escoamento ou evaporação). Na busca por espécies mais resistentes, para cultivo em áreas de baixa disponibilidade hídrica. Na melhor compreensão dos processos de distribuição mundial da água, que viaja por meio de nuvens até regiões remotas, e da ameaça que as mudanças climáticas representam para essas regiões dependentes dos chamados “rios voadores”. Há oportunidades, inclusive, na água como sistema produtivo, para a criação de peixes ou de algas, por exemplo.

Há, enfim, a oportunidade de se implantar uma agricultura mais sustentável, que não só consuma água de maneira mais inteligente como ajude a preservá-la, em quantidade e qualidade necessárias para que o Brasil faça jus ao posto de potência hídrica mundial.

Felizmente, há motivos para otimismo. Avanços já vêm sendo feitos na área de pesquisa. Porém, como lembra o diretor do Inpa, “a bancada do laboratório é apenas uma etapa do processo de inovação. Da bancada para o chão de fábrica – ou, no caso, para o campo – existe um vasto caminho, que precisa ser trabalhado também. Quero dizer que já temos soluções para uma série de coisas. O importante é usar as informações e ferramentas mais modernas, não descuidar da produção de novas informações e socializar esse conhecimento. E nisto, o Prêmio Fundação Bunge é extremamente importante”.