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Prêmio Fundação Bunge 2012

Fernanda Dias Abadio Finco

57o Prêmio Fundação Bunge – 2012
Segurança Alimentar e Nutricional
Fernanda Dias Abadio Finco, premiada na categoria Juventude

“No meu trabalho, a questão da sustentabilidade é fundamental. Não basta ter alimento, ele tem de ser sustentável. Tem de contemplar os componentes econômico, social, ambiental e cultural.”

Em maio de 2003, a Universidade Federal de Tocantins (UFT) dava início a suas atividades com a contratação de seu primeiro quadro de professores efetivos. Entre eles, a carioca FERNANDA DIAS BARTOLOMEU ABADIO FINCO, então com 25 anos. Bacharel em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela acabara de concluir seu mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), quando decidiu prestar e passou, muito bem-colocada, no concurso para docentes da UFT.

O que ela encontrou no Tocantins foi uma realidade muito diferente da que conhecia. “Me deparei com uma outra cultura alimentar: novas frutas, novas formas de preparo. Fiquei fascinada.” Para Fernanda, seu desconhecimento da realidade local era um desafio e uma oportunidade de expandir sendas ainda pouco trilhadas na área da Segurança Alimentar e Nutricional brasileira. “No Sudeste, as coisas já estão mais consolidadas. Mas quando se fala de comunidade rural, no Brasil, a gente sabe quase nada, principalmente em relação à parte nutricional.”

Desde então, Fernanda, hoje com 34 anos, tem feito importantes contribuições para preencher essa lacuna. De 2004 a 2007, foi membro do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional do Estado do Tocantins. Em 2005, fundou o Laboratório de Segurança Alimentar e Nutricional (LabSAN) da UFT. E em 2007 iniciou doutorado pela Universidade de Hohenheim, na Alemanha, cuja tese ela defende em setembro deste ano.

Focado em duas comunidades rurais da região do Cantão, sudoeste do Tocantins, o projeto de doutorado envolveu uma fase de seis meses em campo, em que Fernanda investigou o estado nutricional dos adultos, seu perfil dietético e as condições de acesso aos alimentos, e uma fase de laboratório, na Alemanha, em que buscou analisar frutas locais com potencial a ser aproveitado. Especialmente a bacaba, fruto de uma espécie de palmeira amazônica. “Até então se desconhecia qualquer propriedade nutricional da bacaba. Hoje, já posso dizer que ela tem um potencial antioxidante interessante.”

Os méritos do projeto não passaram despercebidos pela comunidade científica. Em primeiro lugar, ela havia identificado um patrimônio nutricional dentro do contexto geográfico e cultural das comunidades. Em segundo lugar, a preocupação de Fernanda ia além do campo da Nutrição: “Antes, era um pé de bacaba que só daria suco e poderia ser cortado; agora, com desenvolvimento científico e tecnológico, podemos até fomentar o extrativismo. Isso traz retorno para as comunidades.”

O doutorado rendeu frutos: está sendo desdobrado em um projeto de cooperação internacional entre o Brasil e a Alemanha, chamado Eco-Nutrição, no qual Fernanda coordena uma equipe interdisciplinar para dar continuidade às suas pesquisas. “Quero estimular mais pessoas a se inserir nessa temática com uma visão mais holística: montar uma rede, com gente de laboratório, de Economia, de Antropologia, buscar apoio governamental. Queremos compartilhar experiências.”