Centro de Memória Bunge

No Dia do Trabalhador, Centro de Memória Bunge resgata acervo sobre o período de industrialização do País

05 de maio de 2020
Costureiras Moinho Santista1

Da fábrica de tecido, que empregou uma grande quantidade de mulheres na década de 1920, até a criação de uma Assistência Médica e Social para seus colaboradores, nos anos 1940, a Bunge reúne histórias desde 1905

Nessa sexta-feira, comemora-se o Dia do Trabalhador, data que surgiu em Chicago, nos Estados Unidos, quando, em 1º de maio de 1886, diversos trabalhadores foram às ruas para protestar contra jornada exaustiva diária, que podia chegar até 17 horas. Desde então, as mudanças no mercado de trabalho viraram uma realidade comum durante a industrialização do Brasil.

Em sua história, a Bunge, que emprega trabalhadores brasileiros em diversos setores e regiões do país desde 1905, passou por diversas transformações para chegar ao seu momento atual no Brasil. No cotidiano das fábricas e da sociedade operária de São Paulo muitas alterações foram sentidas.

Na década de 1920, diante do crescimento da produção moageira no país, a Bunge, até então denominada S/A Moinho Santista Indústrias Gerais, resolve construir uma Fábrica de tecidos, com preferência para o algodão, para o suprimento da necessidade de sacos para a farinha do moinho. Com essa ação, a companhia passou a empregar uma grande quantidade de mulheres, pouco absorvidas pelas indústrias do País. Elas foram uniformizadas e empregadas em um setor exclusivo de atuação para produção de sacaria.

As mudanças implementadas pelo governo do então presidente Getúlio Vargas (1930 – 1945) também geraram diversas transformações nos direitos do trabalho. Foi durante o seu governo, por exemplo, que o salário mínimo foi estipulado – na época, com valores diferenciados de acordo com a região. No Rio de Janeiro, até então a capital do País, o salário mínimo correspondia a quase três vezes o valor do salário mínimo no Nordeste. Só em 1943 que ocorreu o estabelecimento da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Antes da consolidação das Leis trabalhistas e da obrigatoriedade das empresas com relação à saúde dos seus trabalhadores, na capital paulista, em 1939, a Bunge constituiu uma Assistência Médica e Social, a SAMS. Inicialmente com algumas especialidades médicas para o atendimento domiciliar dos contribuintes e com espaço e ações recreativas para o desenvolvimento de atividades esportivas. Nascida em São Paulo, a SAMS foi posteriormente disseminada em todas as outras empresas e unidades pelo País.

Cinquenta anos depois, no final dos anos 80, a ampliação gradativa da estrutura permitia que a Bunge provesse saúde sem fins lucrativos para quase 95 mil pessoas entre funcionários e dependentes. Um número gigantesco para a época, a SAMS contava com uma rede de mais de mil credenciados, entre hospitais, prontos-socorros e clínicas. Desenvolviam programas, cursos, palestras e distribuição de materiais informativos para a prevenção de doenças e a busca de hábitos mais saudáveis.

Seu pioneirismo e sucesso foi pautado no fato de ter nascido de um diálogo espontâneo entre colaboradores e empregadores, contando com recursos próprios, desde a infraestrutura e corpo médico. Investimento incomum nas empresas daquele período.
Mais informações sobre a Sociedade de Assistência Médica e Social e as transformações trabalhistas durante a industrialização do País podem ser encontradas no Centro de Memória Bunge, que reconta os mais de 100 anos de história da Bunge no Brasil.

Mais informações sobre a Sociedade de Assistência Médica e Social e as transformações trabalhistas durante a industrialização do País podem ser encontradas no Centro de Memória Bunge, que reconta os mais de 100 anos de história da Bunge no Brasil. Todo acervo está disponível para consulta e visitação, após o fim do isolamento, mediante agendamento.

Visita de Getúlio Vargas à Fiação Santista - Seção Lã. Brasil, São Paulo, São Paulo; Autoria não identificada; 10.1940. Acervo Centro de Memória Bunge.

Costureiras do Moinho Santista, Santos, SP. Autoria não identificada; 1931. Acervo Centro de Memória Bunge.