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Os livros de Monteiro Lobato são realmente racistas?

  • 22/10/12 às 14h45

Recentemente, voltou à tona uma polêmica que circula pelo menos desde 2010: o suposto racismo em obras do escritor Monteiro Lobato.

Fruto de uma ação movida pelo Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara), a polêmica começou com a obra “Caçadas de Pedrinho”. Publicado em 1933, o livro relata uma aventura dos personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo à procura de uma onça-pintada. No livro, há trechos onde a Tia Nastácia é chamada de negra. Outras citações polêmicas incluem:

- “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou que nem uma macaca de carvão”;
- “Não é à toa que os macacos se parecem tanto com os homens. Só dizem bobagens”;
- “Não vai escapar ninguém - nem Tia Nastácia, que tem carne preta”.

Em defesa do escritor, o jornalista e escritor Ruy Castro é contundente: “As pessoas que acusam Monteiro Lobato de racismo e de querer ‘extinguir a raça negra’ certamente nunca leram uma linha do que ele escreveu. Trata-se de uma atitude ‘politicamente correta de galinheiro’, como diria Nelson Rodrigues”. Além disso, o cartunista Ziraldo criou um desenho em que Lobato aparece abraçado a uma passista negra, satirizando os que viam racismo em sua obra.

A polêmica se intensificou quando, em maio de 2011, a Revista Bravo! publicou cartas atribuídas a Lobato, que continham conteúdo racista, inclusive demonstrando simpatia pela eugenia (“ciência” que ajudou a embasar o nazismo) e também ao Ku Klux Klan (organização racista extremista estadunidense).

Entre os trechos mais polêmicos, Lobato escreveu: “Um dia se fará justiça ao Ku Klux Klan; tivéssemos uma defesa dessa ordem, que mantém o negro no seu lugar, e estaríamos livres da peste da imprensa carioca - mulatinho fazendo o jogo do galego, e sempre demolidor porque a mestiçagem do negro destrói a capacidade construtiva”. Em outro trecho, Lobato escreve: “País de mestiços, onde branco não tem força para organizar um Kux-Klan (sic) é país perdido para altos destinos”.

Novas denúncias

Em setembro de 2012, outra obra do escritor foi alvo de denúncia. O livro de contos “Negrinha” também foi considerado racista e sexista pelos mesmos autores da ação contra o primeiro livro.

Entre os trechos polêmicos do livro, está a apresentação da personagem Negrinha: “Negrinha era uma pobre órfã de 7 anos. Preta? Não, fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados. (...) O corpo de Negrinha era tatuado de sinais, cicatrizes, vergões. Batiam nele os da casa todos os dias, houvesse ou não motivo”. Mais adiante, o autor escreve: “A terra papou com indiferença aquela carnezinha de terceira - uma miséria, trinta quilos mal pesados...”.

E você, acha que as obras de Monteiro Lobato podem ser consideradas racistas? Se sim, esses livros devem ser retirados do currículo escolar ou devem continuar, desde que corretamente contextualizados?

Para mais informações sobre a polêmica envolvendo Lobato e o racismo, acesse: http://bravonline.abril.com.br/materia/monteiro-lobato-e-o-racismo

 

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  • 22/10/12 às 14h45
  • Por: Maria Luiza Neves

Monteiro Lobato, viveu durante o movimento abolicionista. é natural de que ele use termos comuns de seu tempo. o professor deve informar ao aluno sobre este aspecto.

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  • 22/10/12 às 16h45
  • Por: Cecilia Carvalho

Não concordo com a polêmica criada em torno de algumas obras de Monteiro Lobato. Seus textos devem ser contextualizados naquele momento histórico. Retratam a sociedade, seus costumes e os conflitos do período em que viveu. Por outro lado, Monteiro Lobato é um autor engajado com as questões sociais econômica e politica de seu tempo.

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  • 22/02/15 às 21h30
  • Por: Gilenio Camilo

Pode parecer chocante mas essa era exatamente a visão daquela época quando o critério arianista e anti-mulatista era defendido sob a bandeira da pureza das classes, aí ele não foi o único a vacilar, mas com ele, uma gama inteira de intelectuais como Oliveira Viana, Alberto Rangel etc. É claro que a sociedade brasileira,hoje, não comporta mais essas colocações equivocadas.

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