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Arquivo de Setembro de 2012

Avaliação educacional


Publicado em 24/09/12 às 10h30 envie a um amigoenvie para um amigo

Pode-se observar a educação de dentro e de fora da escola. O olhar de fora é o dos pais que querem saber se seus filhos estão aprendendo o que precisam para a vida e, o olhar de dentro é o das professoras que precisam saber se seus alunos aprenderam o que lhes ensinou.

A avaliação educacional existe para atender a essas duas necessidades. A avaliação da aprendizagem, desenvolvida pelo professor, que busca saber se os conhecimentos e competências ensinados foram incorporados pelo aluno, responde à pergunta: o aluno aprendeu o que lhe foi ensinado? E a avaliação do ensino responde à questão: foi ensinado o que deveria ter sido ensinado?

Falo apenas da avaliação do ensino, menos conhecida, muito criticada, mas tão necessária. Esse tipo de avaliação educacional trata de três problemas: o registro do aprendizado – hoje o principal resultado dos processos educacionais – a equidade educacional e a capacidade de a escola produzir esses resultados.

O aprendizado do aluno é a expressão privilegiada do atendimento do direito constitucional à educação. No entanto, um direito que não é verificado é apenas uma utopia. Daí a importância do registro do aprendizado, o que só pode ser feito, quando os alunos se contam aos milhões, com o uso de várias tecnologias, principalmente estatísticas.

Esse registro do aprendizado é usado para verificar se os alunos aprenderam o suficiente e comparar a situação dos matriculados em escolas ou redes diferentes. Mas, além disso, possibilita o entendimento das diferenças de aprendizado. Como estamos falando de educação básica, variações são esperadas, pois os indivíduos não são iguais, mas desigualdades entre grupos definidos por critérios sociodemográficos são injustas e devem ser combatidas.

A terceira questão que a avaliação educacional possibilita estudar é a identificação de as escolas que conseguem fazer com que seus alunos, de fato, aprendam, independentemente, de suas características sóciodemográficas. No Brasil, refletindo o tempo em que a escola não era para todos, persiste o uso de uma pedagogia padrão que, com frequência, não é adequada aos alunos reais da escola. Diante disso é muito importante saber qual escola está funcionando bem, o que é sintetizado no chamado “efeito da escola”.

No Brasil existem várias iniciativas de avaliação do ensino, tanto no governo federal como nos estaduais e mesmo municipais. Esses sistemas, entretanto, não têm conseguido informar adequadamente à sociedade e às escolas exatamente o que os números obtidos significam. Essa falta de disseminação da interpretação pedagógica tem impedido o uso mais eficiente das informações geradas pelas avaliações e tem provocado o surgimento de muitas resistências.

Por Francisco Soares - Conselho Nacional de Educação e Grupo de Avaliação e Medidas Educacionais da Faculdade de Educação da UFMG.
Contemplado com o Prêmio Fundação Bunge 2012 em Avaliação Educacional - categoria "Vida e Obra".

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