Arquivo de Agosto de 2014 - Blog - Interatividade - Fundação Bunge
Texto

Interatividade

Blog da Fundação

Arquivo de Agosto de 2014

A importância e os desafios das artes circenses


Publicado em 21/08/14 às 16h45 envie a um amigoenvie para um amigo

O circo é uma das expressões artísticas que sobreviveram a todas as revoluções culturais, políticas e sociais pelas quais a humanidade passou. No Brasil, onde originalmente as apresentações eram feitas nas periferias das grandes cidades e tinham seus shows voltados para todas as classes, o circo alcançou o status de bem do patrimônio cultural.

Hoje, segundo levantamento da Associação Brasileira de Circo – Abracirco, existem cerca de 180 circos itinerantes em todo o Brasil. O número é pequeno, se considerarmos que, em muitos municípios do interior do País, o acesso a linguagens artísticas do teatro, dança, artes visuais e performances ainda chega apenas por meio do circo. Dados de 2010 do Ministério da Cultura revelam que apenas 21,2% das cidades brasileiras possuem teatros e, desse total, 62% ficam nas regiões sul e sudeste. O estado inteiro do Tocantins, por exemplo, possui apenas um teatro. Portanto, o circo também tem um papel importante como disseminador de cultura.

Se, por um lado, a tradição itinerante do circo possibilita levar o espetáculo ao público, até mesmo nos rincões do país, por outro, enfrenta enormes desafios. O primeiro deles é a falta de espaço público para montagem da lona, pois, com a especulação imobiliária, tornou-se cada vez mais difícil encontrar grandes áreas públicas para montagem do circo, além da falta de legislação que assegure a instalação e o funcionamento destes circos nos mais de cinco mil municípios brasileiros.

Também desafiadora é a disputa por espaços simbólicos, de reconhecimento e incentivo dentro dos novos conceitos de sociedade e mercado cultural. É muito difícil adequar projetos circenses às leis de incentivo à cultura do governo, seja pelas barreiras das realidades locais, seja pela natureza da manifestação artística que, preservando as características tradicionais, não encontram tanto espaço na mídia e no mercado, o que se torna uma barreira para a atração de empresas dispostas a investir.

Apesar do cenário, tais desafios ajudam a manter a tradição. Nos últimos anos, após o fechamento de diversos circos de grandes famílias com tradição circense, a manifestação ganhou novas roupagens, em uma tentativa de manter viva a atividade, com a criação de escolas em total consonância com o circo tradicional, o que vem incentivando a prática entre os jovens, formando profissionais e estimulando um novo espaço de trabalho para os artistas que não têm mais condições de continuar viajando. Muito comum também é encontrar escolas infantis que adotaram aulas de circo como parte do currículo, utilizando da ludicidade como forma de estimular a sociabilidade, criatividade e o desenvolvimento da criança. Importante elemento para construção imaginário infantil, a arte circense já inspirou diversos artistas e escritores, como Monteiro Lobato, que construiu histórias infantis inspiradas no universo circense, como na obra O Circo de Escavalinho

Artes Circenses é tema da 59ª Edição do Prêmio Fundação Bunge, criado para incentivar as artes, ciências e letras, homenagear o poder transformador dos indivíduos na sociedade e estimular novos talentos.

Por Maria Bonomi - artista plástica, doutora em Poéticas Visuais pela ECA/USP e membro do Conselho Administrativo da Fundação Bunge.

Páginas - 1


Perfil

No Blog da Fundação Bunge compartilhamos opiniões, experiências e ideias. Participe você também, expondo opiniões e alimentando ideias.

Os textos publicados no Blog da Fundação refletem a opinião de seus autores.

Arquivo