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Arquivo de Julho de 2010

Mudança é uma escolha e exige coragem


Publicado em 26/07/10 às 15h00 envie a um amigoenvie para um amigo

Os institutos e fundações responsáveis pelo direcionamento de grande parte do investimento social privado no Brasil, assim como governos, empresas e sociedade civil, precisam ficar atentos a uma nova demanda para os seus investimentos: os eventos climáticos extremos. Porém, o foco da reflexão sobre este tema não pode ser o de culpar a natureza pelas mazelas que temos acompanhado ultimamente nos noticiários, e sim a nossa falta de comprometimento em propor ações responsáveis e focadas no que convencionamos chamar de novo ciclo de desenvolvimento, que pressupõe ações economicamente viáveis, socialmente justas, ecologicamente corretas e culturalmente aceitas.

Culpar a natureza pelas mortes registradas nos morros do Rio de Janeiro ou no Vale do Itajaí, em Santa Catarina encobre nossa omissão e nossa falta de responsabilidade na hora de definir sobre os investimentos, sejam eles públicos ou privados, de pessoa física ou pessoa jurídica. E, nesse processo de definição de investimento, alguns entendimentos são fundamentais. O primeiro deles é sensibilidade para entender que estamos lidando com gente. Temos de quebrar o paradigma de que, principalmente, para os pobres e necessitados, qualquer solução serve.

O segundo é a valorização do conhecimento. Academia e poder público, pesquisa e iniciativa privada não podem estar dissociados. O terceiro entendimento é o nosso compromisso com a sustentabilidade. Geralmente, os princípios sustentáveis são trabalhados após  satisfeitos os interesses de todos os envolvidos. O desafio que se apresenta é o convite à reflexão e à mudança antes dessa linha de satisfação. A nossa falta de formação em conceitos socioambientais consistentes não pode justificar a nossa omissão frente ao que estamos acompanhando. Também não podemos delegar às gerações futuras a responsabilidade pela busca dessas soluções.

O quarto é o compromisso com o desenvolvimento e o envolvimento local. As comunidades não podem ser apartadas das decisões sobre seus desafios. Até porque as soluções dependem delas. As mudanças estruturais não chegarão de helicóptero, como grande parte da ajuda encaminhada às vítimas das tragédias. Elas virão da sociedade. Essa demanda é nossa.
E nós, que de alguma forma, seja em que instância for, temos o poder de decisão sobre esses investimentos, não podemos nos omitir. Tem de ser premissa nossa o compromisso com as pessoas e com ações focadas nesse novo ciclo de desenvolvimento, assegurando a valorização do saber e o envolvimento local na busca das soluções para os nossos desafios. É muito importante que as ações inovadoras sejam percebidas como um convite a pensar e agir diferente.

Propor o novo em situações de caos não é fácil, pois as necessidades são urgentes. O problema é que as soluções apresentadas para sanar algumas tragédias são frágeis. Mudanças estruturais sérias é uma escolha e exige coragem. E precisamos fazer essa escolha e ter essa coragem. Não existe mágica, existe responsabilidade, compromisso e diálogo. A mudança precisa começar.

Por Cláudia Buzzette Calais, gerente de Responsabilidade Social da Fundação Bunge

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