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Arquivo de Fevereiro de 2010

Preservação da Memória, Preservação da Vida


Publicado em 17/02/10 às 09h00 envie a um amigoenvie para um amigo
Preservação da Memória, Preservação da Vida
 
“If you know your history / Then you would know where you coming from / Then you wouldn´t have to ask me / Who the heck do I think I am…” Bob Marley
 
A História e sua ligação com a Memória e a Preservação Patrimonial podem ser encaradas, em um mundo tão conturbado e carente, como algo que deveria ser alvo de preocupação apenas quando as necessidades básicas – moradia, alimentação, saúde, saneamento básico e educação – já estivessem supridas.
 
A memória, matéria prima da história, é fluida, dinâmica, capaz de criar vínculos entre o passado e o presente e está em constante construção. O patrimônio depositado em museus, arquivos, bibliotecas e centros de memória tem a possibilidade potencial de ser vetor de evocação de memórias. Livros, coleções museológicas ou pessoais tais como cartas, fotografias e mesmo objetos inusitados, sem apelo por sua origem, material ou forma de produção são guardados como formas de registro, lembranças, fragmentos capazes de fazer ressurgir memórias próximas ou distantes. Portanto, a preservação de índices de memória é um direito tão vital quanto qualquer outra necessidade básica.
 
As recentes catástrofes ocorridas em nosso país, como em São Luís do Paraitinga e as mais dramáticas como conseqüência dos vários terremotos no Haiti são alguns exemplos que revelam que a cultura é o que pode fazer a diferença na recuperação de valores humanos. Além destas, inevitáveis, há as infames catástrofes provocadas pelo ser humano tais como os conflitos armados, a corrupção, a destruição de habitats naturais e os desastres tecnológicos cujos impactos provocam mortes, situações de abandono, desequilíbrio ecológico além de causar elevados prejuízos econômicos.
 
Nesses momentos, a preservação do patrimônio é invocada sempre que esperamos que a humanidade não repita os mesmos erros, buscando projetar um futuro que seja mais justo e sustentável para todas as formas de vida.
 
O Patrimônio Cultural é uma das manifestações de nosso ser e estar na vida. Seja ele material ou imaterial, dá sentido às nossas ações e permite que possamos refletir sobre quem somos, onde estamos e para onde desejamos seguir. O patrimônio é tão significativo que, ao ser retirado do seu local de origem por motivo de furto, roubo, vandalismo ou por ser atingido em situações extremas, as populações sentem sua perda como potencialização do grau da tragédia, principalmente quando há perda de vidas humanas, pois a coesão e a identidade do indivíduo na sociedade se perde.
 
Por isso, justifica-se o esforço de vários organismos nacionais e internacionais e das instituições de guarda, na preservação e restauração de acervos comprometidos, bem como o esforço no combate ao tráfico ilícito e ao salvamento de bens atingidos em situações de catástrofes. Essas ações podem significar a restituição de referenciais, o retorno da esperança, da dignidade e um facilitador nos processos de reconquista da autoestima e da reconstrução de identidades pessoais e coletivas das comunidades atingidas.
 
Por Marilúcia Bottallo, coordenadora do Centro de Memória Bunge
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