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Direito Autoral em Mídias Digitais


Publicado em 25/04/11 às 10h30 envie a um amigoenvie para um amigo

Por que proteger direitos autorais? Para recompensar o esforço de quem cria, seja no âmbito do reconhecimento (direito moral) ou da remuneração (direito patrimonial). Mas faz sentido a proteção ocorrer durante todo o período de vida mais 70 anos após a morte? Se pensarmos uma época em que era comum o resultado de uma obra só ser valorizada após o falecimento do autor, sim, faz todo sentido. Mas e agora, na Sociedade Digital, que é caracterizada pelo fenômeno da instantaneidade?

Os direitos autorais possuem duas facetas que às vezes estão em conflito. A de quem cria, e a de quem usa a obra criada. Neste sentido, o Direito responsabiliza quem usa por ter que verificar a procedência da obra. Ou seja, pegar conteúdos na Internet, sem saber se estão protegidos ou não, se são legítimos ou não, gera risco jurídico para quem o pegou. Principalmente se for aplicar em uma situação profissional, corporativa ou publicitária.

As escolas têm tido que ensinar mais sobre Direitos Autorais e Direitos de Imagem, visto que o jovem já faz pesquisas e dever de casa baseado em navegações e buscas na Internet. Logo, é preciso saber ensinar a usar conteúdo do jeito certo, para evitar a prática de plágio, pirataria ou mesmo o uso não autorizado de direitos de imagem, por ser inclusive um direito mais restritivo.

Quando se faz uso de conteúdos digitais é importante analisar os seguintes indicadores:

- Onde ele foi obtido (procedência)
- Propósito de uso (finalidade clara, objetiva e legítima)
- Contexto (estar inserido adequadamente)
- Alcance (qual o público que será atingido)
- Tempo (qual a duração no tempo pretendida – pode se perpetuar?)

Se temos dúvida sobre a origem de um conteúdo, se ele pode ter um vício jurídico intrínseco (forma como foi feito), devemos evitar seu uso de forma abrangente e ilimitada no tempo. Uma coisa é citação em sala de aula, mera referência acadêmica, onde o conteúdo não é a parte principal. Outra coisa é montar todo o material baseado no conteúdo e ainda distribuí-lo. Citação é diferente de distribuição. Mesmo instituições que promovem a cultura devem ter muito cuidado, em especial com os riscos relacionados aos direitos morais de autor (não ser dada autoria correta).

Para evitar riscos para quem usa, deve-se buscar confirmar o conteúdo digital em mais de uma fonte. Se tiver sido uma citação na Wikipedia, ver se, consultando outro local, a informação seria a mesma. No caso de uso de fotos, ainda mais de pessoas, deve-se ter muito cuidado, visto que a busca em aberto na web em geral traz resultados que podem até não ter risco de direitos autorais (ex: versão que já tem licença creative commons), mas pode ser que a pessoa fotografada ou filmada não tenha autorizado, apesar de estar na Internet. Em especial se for imagem de menor de idade (18 anos), pois aí, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e pelo Código Civil em vigor, precisa de autorização por escrito, prévia e formal dos responsáveis legais.

É comum acharmos conteúdos digitais interessantes e não termos certeza da autoria. Quando isso ocorrer devemos sempre mencionar “autoria desconhecida”. E usar o conteúdo deste modo até que alguém pleiteie e confirme a autoria. Sempre que mencionar a fonte, deve-se colocar o link completo, a data e horário, além do nome de autor, afinal, os conteúdos mudam na Internet e o que vale é o que constava à época da coleta do conteúdo. Quem usa conteúdo tem que aplicar as melhores práticas para evitar riscos jurídicos, que podem não apenas prejudicar a reputação, mas gerar perdas financeiras – as indenizações relacionadas à infração de direito autoral ou de imagem no Brasil têm ficado entre R$ 10 mil e 100 mil reais.

Por Dra. Patricia Peck Pinheiro, advogada especialista em Direito Digital (Twitter: @patriciapeckadv)

Era uma vez... e sempre será


Publicado em 04/04/11 às 14h45 envie a um amigoenvie para um amigo

Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, voluntário pode ser definido como “aquele que se dedica a um trabalho sem vínculo empregatício, prestando ajuda quando necessário”. Mais do que isso, ser voluntário é ter disponibilidade em compartilhar tempo e saberes, baseado na experiência que cada um traz consigo.

O voluntariado representa o resgate de alguns dos valores essenciais da essência humana, bem como o resgate do valor cultural do trabalho – aquele que não tem a ver com uma forma de garantir a sobrevivência, mas com uma forma de contribuir para o bem da sociedade.

São muitos os motivos que levam as pessoas a iniciarem um trabalho voluntário. Desde a vontade de ajudar a resolver os problemas e as desigualdades sociais, passando pela caridade e ajuda ao próximo estimuladas por diversas religiões, pela necessidade de se sentir útil e valorizado, pelo desejo de fazer algo diferente no dia a dia, ou até mesmo para retribuir alguma ajuda que tenham recebido no passado.

Fato é que não existe recompensa maior do que a do trabalho altruísta. A experiência de oferecer seu esforço e seus conhecimentos por uma causa maior, sem exigir nada em troca, é enriquecedora, gera crescimento pessoal e também profissional. Nada substitui a satisfação de saber que você está contribuindo para tornar o mundo mais humano, justo e solidário, menos desigual e com mais oportunidade para todos e, por este motivo, há quem diga que, uma vez que uma pessoa exerce o trabalho voluntário, não consegue mais parar.

Um tipo cada vez mais comum de trabalho voluntário é o chamado voluntariado corporativo, em que a empresa reúne voluntários entre seus colaboradores, em torno de um objetivo comum, com foco, metas e resultados esperados. Com esse norte, e contando com o envolvimento e comprometimento pessoal de cada voluntário, o trabalho flui de maneira mais eficiente e a empresa tem condições de atingir resultados e fazer diferença para a sociedade.

A Fundação Bunge investe e acredita no voluntariado corporativo, por meio de projetos como o Comunidade Educativa, programa de escola sustentável que articula o trabalho de voluntariado corporativo com a formação de educadores. Desta forma, o programa contribui para a formação de alunos cidadãos, aptos em leitura e escrita, conscientes de seu papel no presente e comprometidos com o futuro.

Entre 08 e 10 de abril, a Fundação Bunge vai realizar o V Encontro Nacional de Voluntários – Comunidade Educativa. O tema do encontro é “Era Uma Vez e Sempre Será”, que resgata justamente essa essência do voluntário - o poder de fazer acontecer, a consciência de que, por meio de sua trajetória, estará ajudando a escrever outras histórias e tornando-se parte delas.

O Encontro é uma das ações planejadas para o ano de 2011, com o objetivo de estimular o espírito do trabalho voluntário entre seus colaboradores. A meta da Fundação Bunge é aumentar entre 20 e 30% o número de voluntários do Comunidade Educativa.

Por Cecília Carvalho – Coordenadora do Comunidade Educativa

Cyberbullying


Publicado em 28/02/11 às 14h00 envie a um amigoenvie para um amigo

Atualmente, vivemos na Era da Informação e do Conhecimento, onde a tecnologia se faz presente na vida de milhares de pessoas de diferentes faixas etárias. O fácil acesso à tecnologia e o mau uso destes recursos vêm abrindo portas para um tipo de agressão chamado Cyberbullying.

O cyberbullying ou “bullying virtual” é uma modalidade do bullying que utiliza os meios de comunicação mais modernos e com a mais avançada tecnologia para constranger, humilhar e maltratar suas vítimas, que na grande maioria das vezes são adolescentes. Um tipo de violência silenciosa, que aos olhos de algumas pessoas parece inofensiva, mas que pode trazer sérias consequências para quem a sofre.

O cyberbullying vem ganhando a preocupação de pais e professores, devido às consequências devastadoras e à multiplicação do sofrimento que causa às suas vítimas, tendo em vista que este tipo de violência ultrapassa as fronteiras da escola e os pontos de encontro e convivência entre os jovens e adolescentes. O que acontece é que, no cyberbullying, as vítimas não conseguem identificar o seu agressor, que faz do sigilo de sua identidade um poderoso aliado para suas maldades.

O que os professores e pais precisam compreender é que as consequências psicológicas deste tipo de violência são incalculáveis. Um adolescente vítima de cyberbullying não tem como sair ileso das maldades envolvendo seu nome e imagem na rede mundial, perante a sociedade e a família. Dependendo do grau das agressões, a vítima terá sua autoestima abalada, envolvida por sentimentos de medo e ansiedade, podendo até mesmo desenvolver quadros depressivos, comprometimento da aprendizagem e isolamento social.

Podemos observar que este tipo de agressão vem crescendo a cada dia em diversos países e, como maneira de prevenção e conscientização, a escola, os pais e os educadores precisam se unir, desenvolvendo estratégias de enfrentamento para este tipo de agressão.

Cabe à escola proporcionar aos seus educadores o conhecimento necessário por meio de capacitação continuada, para que sejam capazes de identificar, intervir e prevenir o bullying, seja ele por meio da tecnologia ou não. A escola não pode se omitir e deve estar munida de todas as informações sobre a agressão, para que possa resolver os casos e não correr o risco de encaminhamentos e intervenções equivocadas. Isto pode ser feito em parcerias com órgãos competentes, como o Conselho Tutelar e a Promotoria da Infância e Adolescência.

Aos pais, fica a missão de orientar seus filhos sobre o uso consciente da tecnologia a partir da formação de valores e respeito ao próximo. Monitorar o uso da internet e dos equipamentos utilizados pelo adolescente é uma forma defender as vítimas do cyberbullying e também de intervenção caso o seu filho seja o agressor.

Por Denise Marcon, Psicóloga e Tutora do Portal Educação.

A Tragédia tem que encurtar o caminho para a aprendizagem


Publicado em 27/01/11 às 09h30 envie a um amigoenvie para um amigo

Em julho de 2010, logo após a tragédia registrada no Morro do Bumba, no Rio de Janeiro, postei no site da Fundação Bunge um texto onde relatava que a tragédia que acompanhávamos comovidos nos morros cariocas não era diferente da registrada no início de 2010 na região de Angra dos Reis (RJ) ou da que acompanhamos no final de 2008 no Vale do Itajaí (SC). E todas elas são semelhantes às que no início deste ano devastaram a região serrana do Rio de Janeiro. No texto, defendi a ideia de que mudança é uma escolha e exige coragem. As notícias recentes que, estarrecidos, acompanhamos nos noticiários reforçam que precisamos fazer essa escolha e ter essa coragem. A tragédia não pode ser percebida apenas como uma ameaça, mas sim como um caminho mais curto para a aprendizagem.

As imagens da destruição no Rio de Janeiro levam todos à indignação: alguns, com a Natureza, outros, com as autoridades competentes, e outros ainda com a falta de organização da sociedade em reivindicar seus direitos e cumprir seus deveres. Alguns, até com Deus. Não importa qual seja a motivação da nossa indignação, o que importa é que ela tem de ser um estímulo para a ação, e não para a manutenção da inércia. Os eventos climáticos – extremos ou não – sempre existiram e, segundo os especialistas, continuarão a existir em escalas cada vez maiores. Isso não vai mudar. O que precisa mudar é a nossa capacidade de prevenção e adaptação a eles.

Nos falta informação, interpretação e comunicação. Precisamos urgentemente aprender a ler, entender e comunicar os alertas emitidos pelos cientistas e institutos de pesquisa brasileiros sobre grandes precipitações meteorológicas. Essa preparação falta às autoridades que, notoriamente – pelo que acompanhamos no Rio de Janeiro, em Santa Catarina e no Nordeste brasileiro –, não possuem plano de prevenção. O plano “A” é sempre apelar para o poder de sensibilização e mobilização do brasileiro, o “B” é o de confiar que no final as coisas se ajeitam, afinal de contas, Deus é Brasileiro, e o plano “C” é contar com a memória curta da população, que na chuva seguinte – que sempre ocorre no final e início de ano – já esqueceu e se adaptou ao que ocorreu na chuva passada. A dor permanece apenas para quem perdeu tudo e, no caso do Rio de Janeiro, perdeu todos.

Não podemos reclamar do nosso clima, pois o inconveniente maior que ele nos causa e, sabidamente sempre nos mesmos períodos, são as fortes chuvas, seguidas de enchentes. Mesmo assim, até hoje não conseguimos nos prevenir a isso. Fico imaginando se, além das enchentes, também tivéssemos de lidar com furações, terremotos e vulcões, como é a realidade de vários países, muitos deles nossos vizinhos. Precisamos aprender com esses países como prevenir tragédias, como informar a população a lidar com elas e, principalmente, como passar por esses eventos sem registrar os números estatísticos alarmantes de mortos que estamos acompanhando na região serrana do Rio de Janeiro.

O caminho agora não é apontar culpados, muito menos apenas lamentar pelas perdas e danos. Pelo contrário. A adversidade não deve ser percebida como uma ameaça, mas sim como um caminho mais rápido para o aprendizado. Mas, para sairmos da retórica para a ação, eu insisto que a mudança é uma escolha e exige coragem. As autoridades precisam fazer essa escolha e nós, sociedade civil – organizada ou não – precisamos ter a coragem de exigir e colaborar com essa mudança.

Por Cláudia Buzzette Calais, Diretora Executiva da Fundação Bunge

A importância do estudo da epidemiologia de doenças


Publicado em 13/10/10 às 09h30 envie a um amigoenvie para um amigo

Nos últimos cinquenta anos, o Brasil viveu um acelerado processo de mudanças sociais e demográficas. De 1960 aos dias de hoje, a população brasileira deixou de ser predominantemente rural para ter mais de 80% de seus habitantes vivendo nas áreas urbanas. A frequência de analfabetismo caiu de 40% para 10%. O tamanho das famílias brasileiras também diminuiu e o número médio de filhos de uma mulher reduziu de seis para menos de dois filhos.

Somadas às mudanças sociais e demográficas, a implantação do Sistema Único de Saúde na década de 80, teve importante contribuição para melhorias na saúde da população brasileira. Avanços no acesso universal aos cuidados de saúde foram alcançados e programas nacionais de saúde, a exemplo do programa de imunizações, do uso da terapia de reidratação oral, e do programa de tratamento para HIV/AIDS, tornaram-se referência em todo o mundo. Com tudo isso, a expectativa de vida ao nascer do brasileiro saiu de meros 50 anos na década de 60 para ultrapassar a casa dos 70 anos. Neste novo cenário, problemas de saúde associados ao envelhecimento, como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e neoplasias, têm ganhado cada vez mais importância. Entretanto, a manutenção no País de elevada desigualdade social associada à rápida e desorganizada ocupação das áreas urbanas levaram ao surgimento de comunidades carentes (favelas) com inadequadas condições de saneamento e habitação, onde doenças transmissíveis continuam a existir.

Entre as doenças infecciosas associadas à pobreza ou a falta de infraestrutura urbana podemos citar como importantes problemas de saúde pública as infecções respiratórias, as doenças diarréicas, a hanseníase, a febre reumática, a dengue e a leptospirose, entre outras. A leptospirose se destaca entre este grupo de doenças pelo paradigma que representa de uma doença que emergiu neste novo cenário. A leptospirose é uma doença transmitida para os homens através do contato com a urina de animais infectados ou através do contato com água e lama contaminados pela bactéria. No meio urbano, o principal animal que serve de reservatório para a transmissão da leptospirose é o rato de esgoto. Todos os anos, durante as estações mais chuvosas, epidemias de leptospirose acometem as comunidades urbanas carentes onde a ausência de saneamento e drenagem adequados propiciam a reprodução dos ratos e predispõem seus moradores a contato com águas contaminadas. Cerca de 12.000 casos são notificados a cada ano no País com um em cada dez doentes evoluindo para o óbito.

Desde 1996, nosso grupo de pesquisa na Fiocruz de Salvador, em colaboração com associações de moradores de comunidades onde a doença tem elevada incidência, bem como com parceiros da Universidade Federal da Bahia, das Secretarias de Saúde de Salvador e da Bahia, do Ministério da Saúde, e de outras instituições nacionais e internacionais vem investigando a epidemiologia e a patogênese da leptospirose urbana, com o objetivo de determinar o impacto da doença e identificar novas abordagens de prevenção e controle. Este trabalho conjunto tem trazido importantes contribuições: Os estudos mostraram que as incidências de infecções subclínicas e de formas leves da doença são cerca de cem e cinco vezes mais frequentes, respectivamente, do que o observado para as formas graves da doença. Isso indica que o impacto da doença pode ser muito maior do que previamente reconhecido. Foi identificado que a maioria das infecções no meio urbano é adquirida próximo ao domicílio e não durante atividades de trabalho como anteriormente se pensava. Além disso, avaliações da efetividade de estratégias de prevenção, incluindo desratização e programas de saneamento e drenagem, estão em andamento e um teste rápido, capaz de dar o diagnóstico da doença em apenas vinte minutos, foi desenvolvido e sua eficácia será testada durante o ano de 2011.

Um dos maiores desafios para a saúde pública no Brasil é lidar com a complexa epidemiologia de doenças que emergiu no País. Se por um lado as doenças associadas ao envelhecimento são as que predominam na população em geral, determinados grupos populacionais ainda continuam sob elevado risco de adquirir doenças infecciosas. Pesquisas e políticas públicas com foco na prevenção, controle e promoção da saúde vão precisar cada vez mais ser direcionadas para os agravos que se tornaram mais prevalentes com a transição epidemiológica que o país vive, mas sem deixar de contemplar os antigos problemas de saúde que teimam em persistir ou que reemergiram. A criação pela Fundação Bunge de uma nova subárea temática, Saúde Pública e Medicina Preventiva, para premiação no ano de 2010 é um importante reconhecimento da necessidade de continuarmos avançando nesta área do conhecimento humano para o bem sociedade.

Por Guilherme de Sousa Ribeiro, médico formado pela Universidade Federal da Bahia – UFBA e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz - FIOCRUZ.
Contemplado com o Prêmio Fundação Bunge 2010 na área de Saúde Pública/Medicina Preventiva (categoria Juventude)

O tempo e a Amazônia


Publicado em 28/09/10 às 09h00 envie a um amigoenvie para um amigo

As águas de março da Elis Regina já não ocorrem mais com a mesma regularidade de antes. O furacão extra-tropical no litoral Sul já não é mais novidade. Tornado da magnitude daquele de Guaraciaba (SC) pegou todos de surpresa. Inverno frio e verão quente são coisas que despertam saudades no cidadão comum. Para piorar, um novo ator surgiu com o nome de El Niño “modoki”. Este fenômeno foi apelidado de “modoki” (parece, mas não é – em japonês) porque, ao contrário do verdadeiro, este teve início em julho de 2009 e perdeu a sua força somente em julho de 2010. Consequências deste fenômeno? Seca prolongada na região Norte e enchentes no Sul, Sudeste e, inclusive, no Nordeste.

Na Amazônia brasileira ocorreram dois fenômenos meteorológicos atípicos em 2005. Em janeiro, ocorreu “downburst” ou roça de ventos em grande parte da região amazônica, que foi responsável pela morte de mais de 500 milhões de árvores. A partir de setembro do mesmo ano ocorreu uma seca atípica na região, que também provocou a morte de milhões de árvores. Somando os estragos destes dois fenômenos, em termos de emissões de gases de efeito estufa, o resultado foi, praticamente, igual às emissões pelo desmatamento na Amazônia daquele ano. A seca foi documentada, mas as chuvas somente foram descritas e, parcialmente, analisadas em 2010. Uma constatação importante sobre o ano 2005 é que a precipitação média anual foi, praticamente, igual a média histórica da região. Portanto, a variação do tempo dentro do mesmo ano foi terrível, mas entre anos foi imperceptível.

No ano de 2005, a Amazônia se mostrou muito vulnerável tanto à seca como também a chuvas com vento acima de 100 km/hora. Estes episódios mostraram também que a nossa capacidade em descrever estes fenômenos é muito fraca ficando fácil imaginar a nossa capacidade de fazer previsões. Sem previsões não é possível trabalhar com medidas preventivas e de adaptação. Em resumo, a Amazônia está entregue à sua própria sorte; o tempo maltrata a região e o homem pouco pode fazer para controlar o humor dele (do tempo). É bom não perder de vista que este problema não é exclusivo do Norte porque está quase comprovado que os ciclos hidrológicos das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul dependem muito das chuvas formadas na Amazônia.

Apenas nas últimas décadas do Século XIX a Terra alcançou o primeiro bilhão de habitantes; nos últimos 150 anos colocamos mais 6 bilhões neste planeta. Consequências? Aumento de consumo de tudo. Resultado? A concentração de CO2 na atmosfera subiu de 281 ppm (em 1850) para 381 ppm (2007). O que a mudança de humor do tempo tem a ver com isto? Estes aumentos coincidem com o advento do combustível fóssil; logo, a tecnologia tem muito a ver com o humor do tempo. Portanto, a tecnologia criou o problema, a tecnologia tem também a responsabilidade de mitigar o problema. 

O que cada um pode fazer? Primeiro é preciso diminuir o consumo de tudo. Depois é torcer para que a combinação de novas tecnologias e a economia de baixo carbono produza resultados.

Por Niro Higuchi, Eng Florestal, Pesquisador do INPA
Contemplado com o Prêmio Fundação Bunge 2010 na área de Ciências Florestais (categoria "Vida e Obra")

"O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente.”


Publicado em 30/08/10 às 10h30 envie a um amigoenvie para um amigo

"O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente.” Mario Quintana

Desde 2009, o Historiador que, no Brasil, atua sem profissão regulamentada, tem um dia nacional para comemorar – 19 de agosto – dado em homenagem a data de nascimento de Joaquim Nabuco.

A História é uma disciplina que está presente em todas as outras formas de pensamento, seja científico ou não. Todas as manifestações que são passíveis de serem analisadas, também podem ser historiadas. Várias outras profissões e as próprias ciências humanas, exatas e biológicas se valem da História como forma de situar um fenômeno no tempo e no espaço partindo, em geral, da gênese do que se observa até as mais recentes conquistas.

Formalizada da maneira tal qual a conhecemos no Século XIX, os historiadores buscavam, então, conquistar para a história o status de ciência. Para isso, aplicaram teorias e métodos de análise que advinham das ciências exatas e biológicas, por meio das quais buscavam estabelecer padrões e taxonomias e a verificação de circunstâncias e sintomas que facilitassem a análise e prospecção de futuro. Atualmente, existem variadas correntes históricas que, mais do que as grandes narrativas, privilegiam formas de observação da vida cotidiana e seus elementos tais como a micro-historia, a historia cultural, a história do cotidiano entre outras.

Em correlação com outras ciências, o Historiador de formação acadêmica tem um interessante e, cada vez mais expandido mercado profissional. Em oposição ao senso comum que imagina que o historiador lida com um passado pronto e acabado, sua função está vinculada com o lançamento de novas bases de atuação para o futuro tendo como ponto de inflexão as experiências ocorridas e as múltiplas interpretações que a elas se pode dar.

Portanto, mais do que com fatos, o historiador lida com as diferentes formas de abordagem sobre os mesmos, levando-o a interpretar processos que interagem entre si e configuram o presente em seus vários aspectos sociais, econômicos, políticos, morais e éticos.

Por isso, a História tem por objeto o que temos de essencial e que nos distingue de todas as outras formas de existência: nosso próprio sentido de humanidade e a busca de compreensão sobre nossa presença na vida.

Por Marilucia Bottallo, coordenadora do Centro de Memória Bunge

Mudança é uma escolha e exige coragem


Publicado em 26/07/10 às 15h00 envie a um amigoenvie para um amigo

Os institutos e fundações responsáveis pelo direcionamento de grande parte do investimento social privado no Brasil, assim como governos, empresas e sociedade civil, precisam ficar atentos a uma nova demanda para os seus investimentos: os eventos climáticos extremos. Porém, o foco da reflexão sobre este tema não pode ser o de culpar a natureza pelas mazelas que temos acompanhado ultimamente nos noticiários, e sim a nossa falta de comprometimento em propor ações responsáveis e focadas no que convencionamos chamar de novo ciclo de desenvolvimento, que pressupõe ações economicamente viáveis, socialmente justas, ecologicamente corretas e culturalmente aceitas.

Culpar a natureza pelas mortes registradas nos morros do Rio de Janeiro ou no Vale do Itajaí, em Santa Catarina encobre nossa omissão e nossa falta de responsabilidade na hora de definir sobre os investimentos, sejam eles públicos ou privados, de pessoa física ou pessoa jurídica. E, nesse processo de definição de investimento, alguns entendimentos são fundamentais. O primeiro deles é sensibilidade para entender que estamos lidando com gente. Temos de quebrar o paradigma de que, principalmente, para os pobres e necessitados, qualquer solução serve.

O segundo é a valorização do conhecimento. Academia e poder público, pesquisa e iniciativa privada não podem estar dissociados. O terceiro entendimento é o nosso compromisso com a sustentabilidade. Geralmente, os princípios sustentáveis são trabalhados após  satisfeitos os interesses de todos os envolvidos. O desafio que se apresenta é o convite à reflexão e à mudança antes dessa linha de satisfação. A nossa falta de formação em conceitos socioambientais consistentes não pode justificar a nossa omissão frente ao que estamos acompanhando. Também não podemos delegar às gerações futuras a responsabilidade pela busca dessas soluções.

O quarto é o compromisso com o desenvolvimento e o envolvimento local. As comunidades não podem ser apartadas das decisões sobre seus desafios. Até porque as soluções dependem delas. As mudanças estruturais não chegarão de helicóptero, como grande parte da ajuda encaminhada às vítimas das tragédias. Elas virão da sociedade. Essa demanda é nossa.
E nós, que de alguma forma, seja em que instância for, temos o poder de decisão sobre esses investimentos, não podemos nos omitir. Tem de ser premissa nossa o compromisso com as pessoas e com ações focadas nesse novo ciclo de desenvolvimento, assegurando a valorização do saber e o envolvimento local na busca das soluções para os nossos desafios. É muito importante que as ações inovadoras sejam percebidas como um convite a pensar e agir diferente.

Propor o novo em situações de caos não é fácil, pois as necessidades são urgentes. O problema é que as soluções apresentadas para sanar algumas tragédias são frágeis. Mudanças estruturais sérias é uma escolha e exige coragem. E precisamos fazer essa escolha e ter essa coragem. Não existe mágica, existe responsabilidade, compromisso e diálogo. A mudança precisa começar.

Por Cláudia Buzzette Calais, gerente de Responsabilidade Social da Fundação Bunge

Tarefa do professor 2.0: aprender novas formas de ensinar


Publicado em 03/05/10 às 10h30 envie a um amigoenvie para um amigo
Em todas as profissões, há uma necessidade de aperfeiçoamento constante com intuito de acompanhar a rápida evolução do conhecimento e da tecnologia. Na sala de aula, esse cenário não é diferente. Lidar com jovens em um ambiente em que a educação é a base do relacionamento, é mandatório se reciclar, se informar todo o tempo e descobrir novas técnicas para manter a garotada estimulada e capaz de absorver o conhecimento passado na sala de aula.
 
Neste meu primeiro post, gostaria de levantar essa reflexão: o quanto e como os professores estão se preparando para lidar com essa nova geração de alunos – apelidada por Geração Y - jovens apaixonados por conteúdo (nem sempre o paradidático) e diversão, utilizando principalmente a Internet e outras tecnologias móveis para obter esse conhecimento.
 
Velocidade, liberdade, consumo, individualidade e tecnologia são os valores que regem a Geração Y, que é caracterizada por jovens nascidos entre 1978 e 1990. Além disso, possui forte influência da cultura do hedonismo e são, em sua maioria, autores de blogs e gestores de comunidades nas redes sociais.
 
Embora muitas escolas já tenham acesso às tecnologias, é difícil saber até onde os docentes estão conseguindo levar e agregar o seu conhecimento. De fato há uma comunicação correta ou interesse dos alunos pelo conteúdo apresentado em sala de aula?
 
Aí vem a pergunta que responderia muitas destas dúvidas: mas, a quem cabe a responsabilidade da formação destes educadores para trabalhar com esta nova geração?
 
Tenho por mim que, embora em escala maior, não é apenas do governo. Sim, o professor de hoje deve ir além das fronteiras e entender o seu novo público. Aproveitar as novas ferramentas e trabalhar de forma diferenciada para atender às expectativas de seus alunos e, consequentemente, crescer como profissional.
 
Acredito ainda que iniciativa privada possa colaborar de alguma forma neste novo cenário. Afinal, todo o esforço para uma educação de qualidade deve ser levado em consideração, até porque numa realidade dinâmica do mundo atual, necessitamos de crianças e jovens preparados para a vida em sociedade, sujeitos de sua história, ativos na busca de conhecimento, comprometidos e engajados.
 
Cecilia Carvalho, coordenadora de projetos da Fundação Bunge

Saúde Pública e Medicina Preventiva


Publicado em 28/04/10 às 11h45 envie a um amigoenvie para um amigo

O Prêmio Fundação Bunge, ao longo de sua existência, tem incentivado o desenvolvimento das ciências, letras e artes, laureando personalidades que pelo conjunto dos seus trabalhos tenham contribuído para o engrandecimento das seis áreas do saber: I) Ciências Biológicas, Ecológicas e da Saúde; II) Ciências Exatas e Tecnológicas; III) Ciências Agrárias; IV) Ciências Humanas e Sociais; V) Letras e; VI) Artes. Na galeria dos premiados figuram cento e cinqüenta e nove brasileiros que contribuíram para a melhoria da qualidade de vida e que por isso mesmo despertam a auto-estima de todos nós.

O incentivo em 2010 foi destinado a uma das áreas em que o povo brasileiro é mais carente: Saúde Pública e Medicina Preventiva. São áreas que tem enorme impacto na vida de todos nós, notadamente, nas camadas sociais mais desprovidas de recursos. A saúde é fundamental para a qualidade de vida e para o desenvolvimento do ser humano. As Universidades Públicas e Privadas e as Instituições convidadas a indicar personalidades que tenham contribuído para o engrandecimento dessas áreas são parceiras e ajudarão o Grande Júri da Fundação Bunge a entregar a láurea de 2010 a um brasileiro do qual todos nós nos orgulharemos. 

Por Ruy Martins Altenfelder Silva, Curador dos Prêmios Fundação Bunge

Lixo eletrônico: uma paisagem do futuro?


Publicado em 01/04/10 às 14h45 envie a um amigoenvie para um amigo
Responda rápido: você descarta adequadamente as pilhas dos eletrônicos da sua casa? Quando troca de celular, procura um local de descarte apropriado? Se suas respostas foram positivas, você é uma exceção. Ultimamente, muitos estudos têm sido realizados sobre o problema do ‘lixo eletrônico‘ produzido no mundo. E o cenário é preocupante. 
 
O Brasil é o mercado emergente que gera o maior volume de lixo eletrônico per capita a cada ano. A China é o segundo maior produtor do mundo (2,3 milhões de toneladas ao ano), atrás apenas dos Estados Unidos. O alerta** é da ONU, que lançou seu primeiro relatório sobre o tema e advertiu que o Brasil não possui sequer uma estratégia para lidar com o fenômeno.
 
Recentemente, sob a forma de protesto, cidadãos britânicos criaram um boneco de sete metros de altura baseado em uma curiosa “estrutura física”: celulares, videogames, eletrodomésticos, computadores e outros tipos de lixo eletrônico. O peso da escultura, apelidada de “Homem de Lixo”, é de 3,3 toneladas. Imaginem toda essa sucata cibernética sendo despejada em lixos comuns – o mal que faria às nossas vidas e ao meio ambiente!
 
Temos que buscar alternativas para conviver com essa nova realidade. Devemos cada vez mais apoiar o incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento de novas tecnologias, cobrando sempre que seus processos sejam pensados como um todo, inclusive o seu “fim”. Caso contrário, vai ser drástico viver num mundo cuja paisagem de nossa janela sejam montanhas de resíduos tóxicos.

Sugestão de Leitura
Para mais informações sobre o lixo eletrônico, veja matéria completa divulgada no Jornal Cidadania, edição 52
 
**O estudo realizado pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma).
 
 
Por Anna Barcelos, coordenadora de Comunicação da Fundação Bunge

Preservação da Memória, Preservação da Vida


Publicado em 17/02/10 às 09h00 envie a um amigoenvie para um amigo
Preservação da Memória, Preservação da Vida
 
“If you know your history / Then you would know where you coming from / Then you wouldn´t have to ask me / Who the heck do I think I am…” Bob Marley
 
A História e sua ligação com a Memória e a Preservação Patrimonial podem ser encaradas, em um mundo tão conturbado e carente, como algo que deveria ser alvo de preocupação apenas quando as necessidades básicas – moradia, alimentação, saúde, saneamento básico e educação – já estivessem supridas.
 
A memória, matéria prima da história, é fluida, dinâmica, capaz de criar vínculos entre o passado e o presente e está em constante construção. O patrimônio depositado em museus, arquivos, bibliotecas e centros de memória tem a possibilidade potencial de ser vetor de evocação de memórias. Livros, coleções museológicas ou pessoais tais como cartas, fotografias e mesmo objetos inusitados, sem apelo por sua origem, material ou forma de produção são guardados como formas de registro, lembranças, fragmentos capazes de fazer ressurgir memórias próximas ou distantes. Portanto, a preservação de índices de memória é um direito tão vital quanto qualquer outra necessidade básica.
 
As recentes catástrofes ocorridas em nosso país, como em São Luís do Paraitinga e as mais dramáticas como conseqüência dos vários terremotos no Haiti são alguns exemplos que revelam que a cultura é o que pode fazer a diferença na recuperação de valores humanos. Além destas, inevitáveis, há as infames catástrofes provocadas pelo ser humano tais como os conflitos armados, a corrupção, a destruição de habitats naturais e os desastres tecnológicos cujos impactos provocam mortes, situações de abandono, desequilíbrio ecológico além de causar elevados prejuízos econômicos.
 
Nesses momentos, a preservação do patrimônio é invocada sempre que esperamos que a humanidade não repita os mesmos erros, buscando projetar um futuro que seja mais justo e sustentável para todas as formas de vida.
 
O Patrimônio Cultural é uma das manifestações de nosso ser e estar na vida. Seja ele material ou imaterial, dá sentido às nossas ações e permite que possamos refletir sobre quem somos, onde estamos e para onde desejamos seguir. O patrimônio é tão significativo que, ao ser retirado do seu local de origem por motivo de furto, roubo, vandalismo ou por ser atingido em situações extremas, as populações sentem sua perda como potencialização do grau da tragédia, principalmente quando há perda de vidas humanas, pois a coesão e a identidade do indivíduo na sociedade se perde.
 
Por isso, justifica-se o esforço de vários organismos nacionais e internacionais e das instituições de guarda, na preservação e restauração de acervos comprometidos, bem como o esforço no combate ao tráfico ilícito e ao salvamento de bens atingidos em situações de catástrofes. Essas ações podem significar a restituição de referenciais, o retorno da esperança, da dignidade e um facilitador nos processos de reconquista da autoestima e da reconstrução de identidades pessoais e coletivas das comunidades atingidas.
 
Por Marilúcia Bottallo, coordenadora do Centro de Memória Bunge

Consumo consciente: essa prática depende de nós


Publicado em 29/12/09 às 11h15 envie a um amigoenvie para um amigo
No meu último post  falei sobre o lado sustentável de cada um e de como precisamos de lideranças empresariais, políticas e sociais comprometidas com as mudanças que uma sociedade sustentável exige. Além disso, ressaltei como cada um de nós tem um papel importante para conduzir esse processo.
 
Neste mês, tivemos um dos eventos mais esperados do ano voltado para a questão da preservação saudável e sustentável do planeta: a COP-15, 15ª Conferência das Partes. Os resultados não foram tão surpreendentes quanto imaginávamos, nos levando, por conseqüência, a refletir ainda mais sobre a importância de adotarmos ações individuais, por mais simples que sejam, para darmos nossa contribuição para reverter este quadro atual.
 
Um bom começo para minimizar os impactos nocivos ao planeta e construir um mundo social e ambientalmente melhor é adotarmos escolhas de consumo consciente.  São ações praticadas no dia-a-dia por meio de gestos simples. Devemos ter em mente que o consumo consciente é uma contribuição voluntária, solidária e cotidiana que envolve a análise constante dos impactos da compra, uso ou descarte de produtos ou serviços.
 
Nosso papel como indivíduos vai além de agirmos somente com práticas sustentáveis: devemos dividir com nossos colegas, familiares e amigos a importância de cada um neste processo, refletindo sobre as nossas próprias ações de consumo.
                                                                                    
Que tal começarmos com atitudes simples, como as que listei abaixo? Se cada um de nós contribuir, certamente ajudaremos, sem esforços super-humanos, melhorar a nossa qualidade de vida e preservar a sustentabilidade do nosso planeta.
 
 
  • Substitua o extrato bancário impresso pela consulta on-line e envie convites por e-mail;
 
  • Mantenha os pneus calibrados - eles vão durar mais e o rendimento do combustível será maior;
 
  • Prefira notebooks a desktops. A produção deles requer menos matéria-prima e energia e seu consumo anual é de 220kWh;
 
  • Tire os aparelhos eletrônicos das tomadas quando não estiverem sendo utilizados. Para você ter idéia, só a televisão quando desligada, mas conectada à tomada, continua consumindo de 10 a 15% de energia.
 
Estas e outras dicas podem ser encontradas em ‘O Livro Verde’, de Elizabeth Rogers e Thomas M. Kostigen. Trata-se de uma ótima fonte de informação para você que, assim como eu, acredita que podemos melhorar o mundo.
 
Há ainda este vídeo, elaborado pela revista Veja, que também traz dicas úteis de especialistas no tema.
 
Vale conferir:
 

 

Por Cláudia Buzzette Calais, gerente de Responsabilidade Social da Fundação Bunge

O valor do voluntariado


Publicado em 25/11/09 às 11h45 envie a um amigoenvie para um amigo

Nascido no país em meados do século XVI com a instalação da Santa Casa de Misericórdia, na Vila de Santos, o voluntariado assumiu ao longo dos séculos contornos ousados e revolucionários.

Se antes, a nobre atividade de doar o tempo, recursos humanos e financeiros em benefício do bem comum, cumpria a função de minimizar o sofrimento dos desprovidos - dando a estes assistência e suporte para uma vida digna - agora o movimento que envolve os diversos setores da sociedade, comporta-se como um importante agente de mudanças nas esferas pública e privada.

É possível que, no Brasil, o divisor de águas entre o voluntariado de caráter meramente filantrópico e o ator social comprometido com a promoção do desenvolvimento comunitário tenha sido o processo de redemocratização, ocorrido no final da década de 80. Com o surgimento das ONGs – “Organizações não governamentais” – entidades da sociedade civil voltadas para as questões de interesse público – a reivindicação dos direitos do cidadão e a defesa do meio ambiente foram institucionalizadas. Ganharam, portanto, mais força no cenário nacional e global.

Na esteira destas mudanças é que o voluntariado corporativo ganhou musculatura. As empresas estão cada vez mais tomando consciência do seu papel na sociedade; de que podem assumir a responsabilidade de promover o desenvolvimento também àqueles que não estão em seus quadros funcionais. E, que, ao agir desta forma, não só contribuem para a construção de uma sociedade mais justa, como também – e principalmente –, crescem com o aprendizado adquirido nestas novas experiências.

Ao romper os muros que delimitam fisicamente suas unidades, as empresas encontram um mar de conhecimentos que passa pelo resgate de valores essenciais à vida e aos negócios: o respeito, a solidariedade, a dignidade, a ética. Os subprodutos da ação voluntária, quando genuinamente praticadas nas organizações, são: a melhoria do clima organizacional; a integração efetiva entre as pessoas nos âmbitos pessoal e profissional; o desenvolvimento de habilidades como comunicação, liderança, trabalho em equipe; a descoberta de talentos individuais que promovem o crescimento coletivo; o aumento da produtividade e racionalidade dos processos; o estabelecimento de vínculos com a comunidade e o poder público local; entre tantos outros.

Mas, acima de tudo o voluntariado promove a humanização das relações: entre os homens e do homem com o meio ambiente. E estas também são questões cruciais para as empresas. As organizações são formadas por pessoas. Quanto mais harmoniosas forem as relações estabelecidas entre elas, mais efetivos serão os resultados gerados nestas interações. Paralelo a isto, as organizações dependem, em primeira ou última instância, dos recursos naturais para produzir. Muitos deles são finitos. Rediscutir o modelo de atuação para assegurar a sobrevivência no longo prazo, torna-se, portanto, uma questão premente. E, envolver todas as pessoas voluntariamente nesta discussão pode ser a prova suprema da sagacidade.

Que o voluntariado ocupe, portanto, o nobre lugar da promoção do desenvolvimento da sociedade a partir do resgate de valores que devem nortear a essência humana.

Juliana Santana é coordenadora de projetos da Fundação Bunge

O lado sustentável de cada um


Publicado em 13/10/09 às 09h45 envie a um amigoenvie para um amigo
Hoje, tornou-se politicamente correto para as empresas, profissionais ligados às áreas social e ambiental, mídia e políticos mais antenados com a realidade falar em sustentabilidade. Mas será que todos estão falando da mesma coisa quando citam esse tema? O termo sustentabilidade nos apresenta dois desafios: o primeiro é chegar a um consenso sobre o seu significado – é comum ser utilizado apenas como sinônimo de investimento na área ambiental; e o segundo é perceber qual o papel de cada um de nós dentro de uma política sustentável, o que implica em uma mudança profunda e, não superficial, de paradigmas.

Essa confusão de conceitos e práticas não está apenas na cabeça do dito cidadão comum. Uma pesquisa divulgada pela ABERJE (Associação Brasileira de Jornalismo Empresarial) revelou que apenas 13% dos profissionais entrevistados relacionam o tema ao conceito do triple bottom line (desenvolvimento econômico com responsabilidade social e ambiental), muito adotado pelas empresas. Uma parcela significativa, 21%, relaciona o tema apenas a um dos pilares, o ambiental – aliás, prática muito comum também entre os empresários. Outro conceito difundido, talvez mais próximo da nossa realidade, é o de “adotar práticas no presente que não comprometam as gerações futuras”. Esse conceito nos leva a pensar e questionar as nossas práticas e como estamos colaborando nesse processo.

Muitas vezes, temos noção dos riscos ocasionados pelas mudanças climáticas, temos opinião formada a respeito do protocolo de Kyoto e conseguimos identificar aspectos falhos no atual modelo de crescimento econômico global. Porém, não conseguimos perceber o nosso papel nessa engrenagem. Não entendemos que somos protagonistas e vítimas de nossas ações. Que somos formandos e formadores de um processo maior de transformação econômica, social e ambiental. Nossas práticas revelam quem somos e no que acreditamos.

Precisamos de lideranças empresariais, políticas e sociais comprometidas com as mudanças que uma sociedade sustentável exige e, acima de tudo, capazes de conduzir esse processo. Porém, precisamos também começar a fazer a nossa parte. Somos responsáveis em exigir práticas macroeconômicas éticas , mas também em sermos éticos nas pequenas decisões econômicas que gerenciamos nas nossas relações interpessoais, nos nossos lares, nos nossos ambientes de trabalho. Somos responsáveis por reivindicar a preservação dos nossos ecossistemas, mas também por adotar o consumo consciente para minimizar o descarte de produtos na natureza. Somos responsáveis por cobrar políticas sociais eficientes sem interesses meramente eleitorais, mas também temos de nos sentir instigados a compartilhar o nosso conhecimento em prol do desenvolvimento do outro.

No século passado, certamente para falar de outro tema, o pacifista Mahatma Gandhi nos sinalizou com o caminho a ser trilhado para garantirmos a sustentabilidade de nossas ações: “Seja a mudança que você deseja ver no mundo.”

Por Cláudia Buzzette Calais, gerente de Responsabilidade Social da Fundação Bunge
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